A tentativa incessante da petralha, de arrastar o pré-candidato tucano, José Serra, ao ringue da ilegalidade eleitoral (para depois acusar o adversário de estar praticando a mesma imoralidade e se eximir da irresponsabilidade praticada até o momento com a cidadania) acaba, invariavelmente, resvalando na apedêutica do chefe do desgoverno — cada vez mais enlouquecido para emplacar seu poste.
Desta vez, como se não bastassem as comparações infelizes (para dizer o mínimo) dos presos políticos cubanos com os vagabundos e criminosos que pululam nas cadeias paulistas, o “mito” acaba (intencionalmente) de demonstrar que não sabe o significado das palavras mais básicas do idioma, garantindo seu lugar nos anais e nos menstruais da História ao lado dos Odoricos da vida.
Há alguns dias, o governador de SP, José Serra, utilizou uma maquete para demonstrar sua intenção de construir uma ponte no seu estado. O apedeutinha barbudo, que na companhia de sua mala sem alça inaugura obras que não foram feitas, que não foram iniciadas, que não foram finalizadas, ou que simplesmente não são obras (ponto final), — algo que já lhe rendeu o comentário de @tiodino, no twitter, de que ele estaria inaugurando até ponte de safena em doente necessitado em hospital do SUS — aproveitou a deixa para dizer que Serra estaria inaugurando até maquete.
Infelizmente, é essa mistura de cachaça com ignorância, temperada com má-fé, que corrói (por dentro) os pilares democáticos recém-assentados nesse país e gera tanta desesperança no coração dos cidadãos que desejam viver numa terra ordeira, onde compromissos são cumpridos, acordos são respeitados, leis são observadas.
O post abaixo é uma versão preliminar das biografias comparadas entre José Serra(PSDB-SP) e Dilma Rousseff(PT-RS). O texto deve ser espalhado pelos quatro cantos do Brasil. Não há mentira alguma neste levantamento de dados e fatos sobre a vida pública dos dois oponentes. Os Blogs pela Democracia têm o papel de colocar a verdade para o eleitorado médio, aquele que está longe dos blogs políticos. Precisamos, além do nosso trabalho dentro do nosso ambiente, transformar este tipo de post em e-mail, em corrente, em material para orkut, para o twitter, para o facebook, em informação para as redes sociais. Esta é uma tarefa que precisa ser levada a cabo.
Leitor(a), aprimore esta comparação. Crie a sua própria. Levante novos dados. O importante é confrontar os dois candidatos. Quando a campanha começar, boa parte do Brasil já vai estar conhecendo José Serra e Dilma Rousseff. Quanto mais se souber a respeito dos dois, comparativamente, melhor será a capacidade de julgar e escolher o que é melhor para o Brasil.
Portanto… Aí vai, etapa por etapa, a vida dos dois:
José Serra tem 68 anos, é paulista, filho de imigrantes italianos, o pai vendedor de frutas no Mercado Público, foi criado em uma pequena casa quarto e sala, geminada com outras 24, em São Paulo. Dilma Rousseff tem 62 anos, é mineira, filha de um imigrante húngaro, rico empreiteiro e dono de construtora, proprietário de dezenas de imóveis em Belo Horizonte, foi criada em um grande e espaçoso apartamento em Belo Horizonte.
Somente quando chegou ao Científico, a família Serra mudou-se para um apartamento de dois quartos, alugado. Antes disso, moraram em uma pequena casa em rua de chão batido. Imóvel não era problema para a rica família Rousseff, que passava férias no Rio. Um dos espaçosos apartamentos foi cedido para Dilma utilizar, exclusivamente, como esconderijo seguro para os grupos terroristas dos quais participava, de onde saíam para praticar atentados, roubar e seqüestrar.
No início dos anos sessenta, vinculado à política estudantil, Serra foi presidente da União Estadual de Estudantes, de São Paulo, e da União Nacional dos Estudantes, com apoio da Juventude Católica. Democrata, sempre usou o palanque e a tribuna como armas, jamais integrando grupos terroristas e revolucionários manipulados pelo comunismo internacional. Dilma, por sua vez, neste mesmo período, fazia política estudantil nas escolas mais burguesas de Belo Horizonte. Em 1963, ingressou no curso clássico e passou a comandar uma célula política em uma das mais tradicionais escolas da cidade, onde conheceu futuros companheiros de guerrilha, como o atual prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.
Em 1964, exilou-se na Bolívia e, posteriormente, na França, retornando ao Brasil em 1965, na clandestinidade. Ainda neste ano, foi para o Chile, onde ficou durante oito anos. Com a queda de Allende, foi para a Itália e, posteriormente, para os Estados Unidos. Teve uma vida extremamente produtiva no exílio, onde adquiriu sólida formação acadêmica, foi professor e consultor. Em 1964, Dilma começou a conviver com terroristas de esquerda, iniciando a sua carreira como militante na luta armada. Neste período ingressou na POLOP, Política Operária, onde militou até ingressar na universidade.
Em 1967, Serra casou-se com a psicóloga e bailarina Sílvia Mônica Allende, com quem tem dois filhos e dois netos e continua até hoje casado. Dilma também casou-se em 1967, com o terrorista e guerrilheiro Cláudio Galeno de Magalhães Linhares (”Aurelio”, “Lobato”). Quando o primeiro marido a deixou, para ir cumprir missões em outros países, sequestrando um avião no Uruguai, por exemplo, teve um segundo casamento com Carlos Franklin Araújo, com quem teve uma filha. Desde 2000, não está casada.
Serra interrompeu a sua formação acadêmica em função do exílio, que impediu que seguisse a carreira de Engenheiro. No entanto, no Chile, fez um mestrado em Economia e foi professor de matemática na CEPAL. Posteriormente, nos Estados Unidos, fez mais um mestrado e um doutorado na prestigiada Universidade de Cornell.Tem uma das mais sólidas formações na área no Brasil. Dilma ingressou em 1967 na faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Ali participou da criação do sanguinário grupo COLINA, Comando de Libertação Nacional. Posteriormente, participou ativamente da fusão entre a COLINA e a VPR, Vanguarda Popular Revolucionária, quando surgiu a violenta VAR-P, Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, responsável por dezenas de crimes contra civis e militares.
Serra permaneceu 10 anos longe do Brasil. Retornou em 1977, dois anos antes da Lei da Anistia, sendo um dos únicos que voltou sem nenhuma garantia de liberdade e ainda com os direitos políticos cassados. Enquanto isso, Dilma estava na clandestinidade, participando de ações armadas, recebendo treinamento para guerrilha no exterior, ministrado por organizações comunistas internacionais. Aprendeu a usar o fuzil com maestria, especialmente na atividade de montá-lo e desmontá-lo no escuro. Foi presa em 1970, permanecendo nesta condição até 1973.
Em 1978, Serra iniciou a sua carreira política, que este ano completa 32 anos. Neste ano, teve sua candidatura a deputado impugnada, sob a alegação de que ainda estava com os direitos políticos suspensos. Foi admitido como professor de Economia na UNICAMP, onde ficou até 1984. Em 1973, Dilma Rousseff retomou o curso de Economia na UFRGS, no Rio Grande do Sul, onde estava preso seu segundo marido, Carlos Araújo. Ingressou, junto com o marido, no PDT e recebeu um cargo de estagiária na Fundação de Economia e Estatística, em 1977. Em 1978, Dilma Rousseff começou a fazer o mestrado na UNICAMP e, depois, o doutorado. Durante anos, mentiu em seu currículo que tinha concluído os dois cursos quando, na verdade, mal cursou os créditos, que representa quando muito 10% de um título acadêmico strictu sensu.
Em 1983, Serra iniciou, efetivamente, a sua carreira como gestor, assumindo a Secretária de Planejamento do Estado de São Paulo. Em 1985, Dilma assumiu a Secretaria Municipal da Fazenda, em Porto Alegre, no governo do pedetista Alceu Collares, com quem tem uma dívida de gratidão. Hoje Collares é conselheiro de Itaipu.
Em 1986, Serra foi eleito deputado constituinte, com a maior votação do estado de São Paulo. Foi o deputado que aprovou mais emendas no processo da Constituinte: apresentou 208 e aprovou 130, uma delas criando o Fundo de Amparo ao Trabalhador. Liderou toda a reformulação orçamentária e de planejamento do país, no período, que começaram a estruturar as finanças brasileiras, preparando-as para o futuro Plano Real. Dilma saiu da Secretaria da Fazenda de Porto Alegre em 1988, sendo substituída pelo hoje blogueiro Políbio Braga, que afirma: “ela não deixou sequer um relatório, e a secretaria era um caos.”
Serra foi um dos fundadores do PSDB, em 1988. Foi derrotado por Luiza Erundina, do PT, nas eleições para prefeito de São Paulo. Em 1990, foi reeleito deputado federal com a maior votação em São Paulo. Em 1989, Dilma foi nomeada Diretora-Geral da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, na cota do marido no PDT. Alguns meses depois foi demitida, pois não obedecia horários e faltava a todas as reuniões, segundo Valdir Fraga, o presidente da Casa, à época.
Em 1994, Serra foi um dos grandes apoiadores do Plano Real, mesmo com idéias próprias que o indispuseram, por exemplo, com Ciro Gomes. Neste ano, foi eleito senador por São Paulo, com mais de seis milhões de votos. Em seguida, assumiu o Ministério do Planejamento. Em 1995, Dilma voltou para a FEE, mas como funcionária, já que o PDT havia perdido a eleição. Ali editou uma revista de indicadores econômicos, enquanto tentava acertar o seu “doutorado” na UNICAMP.
Em 1998, José Serra assumiu o Ministério da Saúde, criando os genéricos e o Programa de Combate a AIDS. Criou a ANS e ANVISA. Foi considerado, internacionalmente, como uma referência mundial em gestão na área. Em 1998, na cota do PDT, assume a Secretaria de Minas e Energia, no governo petista de Olívio Dutra, eleito governador gaúcho.Vendo que o partido de Brizola estava decadente, ingressou no PT.
Em 2002, Serra candidatou-se à Presidência, sendo derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2002, Dilma foi nomeada ministra das Minas e Energia do governo Lula, puxando o tapete de Luiz Pinguelli Rosa, mestre em engenharia nuclear e doutor em física, que coordenava o grupo de transição.
Em 2004, Serra elegeu-se Prefeito de São Paulo. Em junho de 2005, Dilma assumiu o lugar de José Dirceu, o chefe da sofisticada organização criminosa do mensalão, sendo saudada por ele como “companheira de armas e de lutas”, em memória aos tempos da guerrilha.
Em 2006, Serra elegeu-se Governador de São Paulo, cargo que exerce até os dias de hoje. É o candidato natural da oposição à Presidência da República. De lá para cá, Dilma vem sendo imposta por Lula como a candidata biônica do PT à presidência da república. No dia 20 de fevereiro de 2010, foi ungida, sem nunca ter conquistado um só cargo público pelo voto ou por concurso, a candidata da situação à sucessão de Lula.
O artigo abaixo foi publicado no site Direto da Redação em 28 fev 2010
COMO GANHAR A GUERRA DAS DROGAS
Por Claudio Lessa
Esta semana, eu quase caio na vala comum da revelação, mais uma vez, de sórdidas teorias da conspiração – no caso, a que coloca Roriz da Bezerra de Ouro como operador de Lulla contra JR Panetone Arruda (este se recusara a apoiar Dilma e estava a caminho de uma vaga de vice na chapa de Serra). Em troca, Lulla – que tem o judiciário (com jota minúsculo) do fazendão no bolso, teria prometido a Roriz limpar sua folha corrida. Mas… ao receber o e-mail do leitor e amigo Sergio C pedindo minha opinião sobre um tema completamente diferente, achei que valeria mais a pena polemizar sobre outro assunto. Vamos lá.
Sergio C pediu minha opinião sobre a posição do ex-presidente FHC a respeito da descriminalização das drogas – todas elas, e não apenas a maconha. Em resumo, segundo FHC (que é a favor da descriminalização mas continua contrário à legalização do uso de drogas), o sistema repressivo atual patrocinado por setores reacionários da ONU não está funcionando e a guerra está sendo perdida; o Secretário Nacional de Segurança Pública reforça a tese de FHC informando que a esmagadora maioria dos encarcerados por causa das drogas é formada por pequenos traficantes – desarmados, sozinhos e réus primários. A descriminalização, segundo FHC, resolveria o problema do encarceramento do chamado “pequeno traficante”, ainda que ele reconheça a necessidade de campanhas contínuas por parte do Ministério da Saúde contra o uso de drogas, da mesma forma que se tem feito contra o vício do cigarro.
Hmmmm… não, senhor ex-presidente. O Brasil – para deixar de ser o fazendão que é – precisa de um choque de ordem para valer. Confesso: não sei como ele se tornaria realidade com o dejeto político-institucional de que dispomos atualmente, mas as campanhas do Ministério da Saúde seriam apenas a cerejinha de um apetitoso sundae composto, entre outras coisas, de um poder judiciário que fosse digno de letras maiúsculas para designá-lo – sem venalidade, plenamente informatizado, com seus processos mais enxutos, onde a pena de morte passe a ser um dispositivo de Estado, deixando de ser privatizada (como é atualmente); de uma força policial altamente capacitada, não apenas academicamente falando, mas bem paga, capaz de reprimir eficazmente o uso de drogas e de ser apoiada na retaguarda por juízes aptos a despachar para a cadeia por toda a vida (ou mesmo para o outro mundo) quem se mete com esse tipo de coisa; de um sistema educacional intensamente comprometido com a formação de crianças e jovens para um futuro decente; finalmente, de um sistema prisional enormemente ampliado, destinado a oferecer uma verdadeira chance de recuperação para quem cair lá dentro (e não um PhD em crime grátis, como atualmente).
Quando se fala numa reforma dessa magnitude, inclui-se (obviamente) leis como a adotada nos EUA e conhecida por “three strikes, you’re out”, numa analogia ao beisebol (aqui, seria algo como “no terceiro cartão amarelo, você está expulso” – no caso, do convívio em sociedade). Na California, quando o terceiro crime é anotado na ficha de alguém, é prisão perpétua, sem discussão. O enxugamento a que me referi acima incluiria medidas como essa, além da redução acentuada do número de recursos e dos prazos concedidos para esses recursos de acordo com a lei de processo penal de hoje em dia, sem falar no fim das facilidades concedidas a advogados que, por sua condição, entram em cadeias sem serem revistados. Medidas como essa podem não impedir alguém de cometer um crime, mas pesam na tomada de decisão. No fazendão, atualmente, não há peso nenhum.
Em resumo, o problema não está em quem está ganhando a guerra das drogas (se é a sociedade ou os traficantes). O problema está em trabalhar com afinco para aparelhar adequadamente a sociedade para enfrentar essa onça, usando os recursos disponíveis (que não são poucos) sem ceder à tentação da corrupção – o que exige uma boa formação moral, advinda de uma boa vida familiar e uma boa escolaridade. Como se vê, uma coisa puxa a outra.
Esta solução exige muito mais mão-de-obra e impõe um nível bem mais elevado de responsabilização (accountability). Mas ela desemboca na garantia de que, se alguém foi parar na cadeia ou foi executado, esse alguém foi levado a essa condição por vontade própria, pois sabia perfeitamente que não devia se meter com o uso, muito menos com o tráfico de drogas. O problema é que, no país do “é assim mesmo”, “trabalhar” é cada vez mais um palavrão.
*Cabrestado (Dic do Lulla) = cabra abestado que vive no cabresto de pilantras e/ou assassinos e/ou ladrões.
Composição fotográfica: Rede blogspelademocracia.blogspot.com
Publicada em http://blog-bymel.blogspot.com/
Roriz fala da crise no DF em horário eleitoral gratuito
O problema do bolão gaúcho não vai ser resolvido tão cedo - isso, se vier a ser resolvido algum dia. Já há o antecedente de outra situação igual, ocorrida no Centro Oeste, que até hoje não deu em nada.
O que resta disso tudo? A descoberta (ainda que tardia) de que boa parte dos bolões das casas lotéricas (apesar de proibidos e não fiscalizados) é feita da seguinte forma: o dono da lotérica agrupa números e faz uma lista. Os incautos que resolvem participar não sabem que a aposta ainda não foi feita. Só depois, quando houver gente suficiente (e o dono da lotérica não se “esquecer” de passar a aposta na máquina) ela será feita.
Esse é o problema que ocorreu no RS. Ele abre uma porta para o crime de estelionato e deixa um gosto mais-que-amargo na boca dqueles que se sentiram milionários por algum tempo, além de reforçar a queimação crônica de filme da Mega Sena.
Se você ainda pretende continuar apostando, o ideal é fazer seus bolões entre seus amigos e conhecidos. Leve a cartela à lotérica mais próxima e você, mesmo(a), faz a aposta na máquina, dentro do prazo estabelecido. Tire cópias para todos os participantes e guarda o original da aposta em seu poder e espere pelo melhor.
Se você apostar em casas lotéricas, exija ver o comprovante da aposta realizada no original. Só aquele papel com os números e as assinaturas dos participantes — o chamado compromisso entre você e a lotérica — não vale o buraco da rosca. Lógico, você não vai poder ficar com o original, mas o fato de ele existir, fisicamente — e de você poder conferir data, número do sorteio etc, demonstra que o dono da lotérica não está pretendendo dar o cano, dessa vez. Ainda assim, não custa ficar com um pé (ou os dois) atrás.
O dinheiro é seu.
O artigo abaixo é de Maristela Bairros, e foi publicado no site coletiva.net
Ódio: como evitar?
“Não odeie, querido. Ódio é uma palavra muito forte”. Adorável esta frase, proferida com inigualável cinismo, por Kathleen Turner na cena de abertura de “Serial Mom” . Para quem esqueceu ou não viu, trata-se daquela comédia de John Waters que exibe uma mãe “de comercial de margarina” que se revela uma psicopata capaz de se divertir até dizendo obscenidades ao telefone enquanto mantém a pose.
A recomendação de Beverly, a personagem, é dada em meio ao café matinal, enquanto a família (ela, o marido e um casal de filhos) comenta um assassinato noticiado no jornal.
De fato. A frase “eu odeio” é pesada, cruel como poucas capazes de expressar um estado humano de insatisfação. Animais não odeiam, eles brigam, se matam até, mas não odeiam, ao menos é o que dizem os experts e eu acredito. Já quando alguém afirma que está com ódio, o clima é perceptível à distância. Aquela onda emitida a partir deste sentimento vai envolvendo o ambiente e quem nele está, e não precisa nem haver um assassinato, como no filme, para ele ocorrer de fato: o ódio mata por si só.
Não odiar é tão fundamental para o equilíbrio da vida quanto respirar e Deus cochilou ao esquecer de incluir esta lei em sua táboa dos 10 mandamentos. Se tivesse sido mais específico, mesmo correndo o risco de ver a gentalha guiada por Moisés construir bezerros de ouro na primeira dificuldade, o Todo-Poderoso houvesse evitado tanta desgraceira.
Em 2007, o garotinho João Hélio entrou na vida de cada brasileiro ao ser morto enquanto era arrastado por quilômetros, preso à cadeirinha de segurança do carro de sua mãe que fora assaltada por um grupo de marginais. Ele tinha seis anos de idade. Um dos assaltantes tinha 17 anos e já então todos ficaram sabendo que, logo, ele estaria livre. A libertação, atendendo à lei brasileira, se deu no dia 10 último. Com direito a programa de proteção sob os auspícios do governo em colaboração com a ong Projeto Legal.
Tem de ter muita força espiritual, nessa hora, para evitar o nefando sentimento de ódio (que ronda qualquer um que tenha uma pontinha de sensibilidade) em relação a um matador de inocente ganhar as ruas e direito de “repensar sua vida” enquanto os familiares de sua vítima carregam, sem solução, a dor desta perda. E ninguém pode fazer nada para evitar esse absurdo.
Convém evitar o ódio a Ezequiel Toledo Lima, hoje com 19 anos, assassino confesso, envolvido em episódio de agressão durante sua detenção, que está protegido em lugar não revelado por, segundo a tal ong, correr risco de morte. Humano, falível, vítima de condições inadequadas de existência, dirão seus defensores. Mas conseguirão estes defensores ser tão cínicos a ponto de sobrepor a miséria de Ezequiel, o matador amparado, à saudade dos pais de João Hélio?
Sem ódio, mas, com santa indignação, deveriam todos os pais deste Brasil se mexer para evitar que uma lei torta continue premiando os bandidos e punindo duas vezes suas vítimas. Se a noção de certo e errado, justo e injusta for perdida neste país sem controle de nada, em breve se estará fazendo o que fizeram os roqueiros de “Serial Mom”, confirmando a dona de casa assassina como ídolo.
O artigo abaixo foi publicado em 21 fev 2010 no site www.diretodaredacao.com
SÍNDROME DA SUBSERVIÊNCIA
Um dos maiores males do Brasil – talvez o segundo maior, depois da catástrofe que é a educação – é a Síndrome da Subserviência. Acho que já falei isso aqui antes, mas não custa nada repetir. Especialmente quando se tem um exemplo tão interessante e oportuno de como isso deve ser tratado, dia após dia, até que o Brasil possa se tornar um país de verdade, e não um mero fazendão onde um auto-proclamado “mito” e seus aspones andam cabrestados por um bestalhão venezuelano e exaltam figurinhas carimbadas como o iraniano Nejadinho ou o cubano Fidel, El Coma Andante.
A Síndrome da Subserviência é um mal mundial, mas suas nuances e intensidade variam de país para país. Exemplo: nos EUA, bastou Obama ser eleito para sua mulher, Michelle, virar símbolo sexual para muitos… brasileiros. No Brasil, este é um reflexo de que o mal está enraizado desde os tempos coloniais e é difícil, quase impossível, de ser tratado. Seu sintoma principal é a transformação – muitas vezes súbita, assustadora – de uma pessoa supostamente normal num completo puxa-saco (o antigo “lambe-botas”, hoje o insofismável “baba-ovo”) de alguém que tem poder. Simplesmente isso. O poder (seja ele em qualquer grau) é o elemento que dá ignição à Síndrome da Subserviência.
A perda da consciência crítica é um perigoso indicativo da Síndrome. Em 2001, pouco depois de ter decidido voltar a passar uns tempos no Brasil, fui trabalhar na TV Senado como funcionário terceirizado. Uma das tarefas foi editar um especial sobre cinema, como pano de fundo para um festival realizado em Tiradentes (MG) que recebia o suporte de alguns senadores (e era usado por eles, claro, como trampolim político).
Um dos segmentos previa a inserção de uma entrevista com o então todo-poderoso senador José Roberto Arruda (mais tarde, vítima do painel eletrônico que o levou à renúncia e mais recentemente, de uma enxurrada de panetones que o levou à cadeia). Se minha memória quase centenária não falha, sua excelência tinha um projeto relacionado com algum tipo de incentivo reunindo produção de cinema e o público infantil. Na fita bruta, a repórter que o entrevistou fazia uma pergunta sobre o projeto e colocava o microfone na boca de sua então excelência. Durante todas as perguntas (2 ou 3, não sei ao certo) e mesmo com o microfone já apontado para sua boca, o então senador apertava os olhinhos, sorria com a boca fechada e movia a brilhosa carequinha de um lado para o outro, negativamente, sem dizer palavra.
Depois da tentativa infrutífera de uma entrevista, já que ele não abria a boca – sinal de que não sabia absolutamente do que se tratava, a repórter teve que abrir o jogo. Explicou que sua excelência tinha um projeto assim, assim, assado, cozido, que estava na comissão tal e qual etc, etc etc. Repetidas as perguntas, o então senador deu as respostas como se soubesse perfeitamente do que estava falando. Fim da entrevista.
Indignado, eu me virei para o editor de VT e disparei: “Esse cara não vai entrar no especial. Nem sabia do que se tratava!” Cauteloso, aparentemente já num adiantado estado da Síndrome da Subserviência (a clarividência é um dos sintomas mais agudos), o editor me respondeu: “Olha lá, Lessa, esse é o seu futuro governador…” Fui rápido no gatilho: “Meu não, negão! Só se for seu! Mas ele está fora, de qualquer jeito. O sujeito nem se interessa em se informar com antecedência sobre um assunto que diz respeito a ele, diretamente!”
Com efeito, o tal especial sobre cinema – que eu nem sei se acabou indo ao ar – não conteve uma palavra sobre o então senador José Roberto Arruda. Mas é bem possível que a invisível teia de aranha que permeia senadores, aspones e funcionários daquela Casa tenha feito chegar aos ouvidos de sua então excelência, de alguma forma, a decisão tomada por este reles editor – que, aliás, insatisfeito com as condições de trabalho e salário como terceirizado, acabou tirando o time de campo depois de uns dois ou três meses ali. Por algum motivo, nos encontros fortuitos com sua ex-excelência havidos a partir daí em eventos sociais (obs.: eu nunca me encontrei com ele antes do fato relatado acima) e especialmente depois do incidente da violação do painel e sua subsequente renúncia, posso dizer que, por coincidência ou não, o olhar que sua ex-excelência me dirigia era, digamos, muito pouco amistoso.
Refletindo no pós-fato, percebo que nunca fui acometido pela Síndrome da Subserviência, e que recebi uma espécie de dose de reforço da vacina contra o mal nos cerca de 20 anos em que morei nos EUA – uma terra em que alguns costumam dizer que “todos são iguais perante a lei, embora alguns sejam mais iguais do que os outros”. No entanto, um número muito maior costuma raciocinar (e se basear nela para agir) da seguinte forma – bem crua, aliás: do operário ao presidente da república, passando pelos políticos e capitães de indústria, big shots, celebridades, mendigos e ricaços etc, todos limpam o traseiro da mesma forma quando vão ao banheiro. Portanto… não há, realmente, muita diferença entre nós. Pense nisso.
O artigo abaixo foi publicado no site www.diretodaredacao.com
PARTICIPAÇÃO ZERO
As inacreditáveis manifestações do mensaleiro-mor da República de “abatimento” ao saber da prisão do governador José Roberto Panetone Arruda, de “choque” ao ver as imagens de maços de dinheiro trocando de mãos e a recomendação expressa de que o mensaleiro-júnior não sofresse qualquer tipo de constrangimento depois de decretada sua prisão preventiva pelo STJ, mais do que qualquer outra coisa, dão o tom calhorda do cinismo, da impunidade e do espírito associativo da máfia que tomou conta da Praça dos 3 Poderes.
Não importa o partido, não importa a orientação ideológica. Como disseram numa emissora de rádio outro dia, toda essa corja possui o mesmo DNA. Um sente a dor do outro. Semana passada, escrevi sobre a necessidade urgente, urgentíssima, de um aperfeçoamento básico do sistema democrático brasileiro – o “recall” dos representantes eleitos. Estendi a exigência do “recall” para os membros do Judiciário (que passariam, em boa parte, a ser eleitos também e, portanto, sujeitos à medida).
Essa providência democrática, somada a outras que muitos de vocês possam ter, tem como objetivo inserir – eu não diria re-inserir, de forma alguma – a opinião pública, o povo, o eleitor no sistema. Há muito tempo o povo deixou de ter conexão com o chamado “sistema democrático”. Sua única participação, decorativa, se limita ao rito do voto, quando todos, obrigados, formam fila e se dirigem às cabines eletrônicas (também alvo de suspeitas cada vez maiores) para a escolha de seus representantes. No Brasil, esse “gap” é cada vez maior, mais evidente, prejudicial e doloroso para toda a sociedade.
A prisão de José Roberto Panetone Arruda ocorreu não por causa do treminhão de provas (escritas e em vídeo) contra ele e seus asseclas – provas que, ao que se informa, se estendem ao reinado do “Homem do Bezerro de Ouro”, Joaquim Roriz e, por isso mesmo, deveriam render cadeia não só para os de hoje, mas para os de ontem, também. O Rei do Panetone foi preso porque estava interferindo, pura e simplesmente, nas investigações. Foi preso também porque seu nível de escárnio diante dos acontecimentos, por palavras e obras, superou o tolerável para algumas autoridades que, mesmo possivelmente contaminadas em outras instâncias, desejam manter um nível mínimo de decoro que deve existir até mesmo entre os criminosos.
Dentro desse quadro de criminalidade desbragada, é mais do que natural que Lulla se declare “abatido” com a prisão de Arruda. Afinal, ao contrário de suas expectativas – ainda que seus dois mandatos estejam sobrecarregados de corrupção – “algema”, “prisão”, “cadeia” e outros verbetes relacionados são considerados altamente constrangedores e causadores de pânico. A malta que tomou conta de Brasília nos últimos 8 anos simplesmente procurou superar os recordes olímpicos das administrações anteriores e, como as outras, cair fora incólume, nada mais que isso.
Em tempo: as algemas, mais do que simples preventivo de segurança para a polícia, são também, sim, uma humilhação pública e têm que ser usadas em todos os que caem nas garras da lei, indiscriminadamente. Se o Rei do Panetone – considerado por Gilmar Dantas e outras cabeças coroadas da corrupção “dessepaiz” como não merecedor de usar algemas – não quisesse passar pelo constrangimento, muito simples: era só não se meter em falcatruas. No entanto, como a regra básica da máfia é um cobrir o traseiro do outro…
Hoje cedo, o jornalista Ricardo Boechat — acostumado a diatribes regulares contra qualquer um e contra todos, no melhor estilo do saudoso Vicente Leporace — abriu fogo contra o já combalido Senado Federal e seus integrantes por causa da convocação de Dilma Rousseff para explicar o famigerado Plano Nacional de Direitos Humanos 3. Mal comparando, esse PNDH3, redigido por um bando de ex-terroristas, é equivalente a um Estatuto da Criança e do Adolescente redigido por um grupelho de pedófilos. Para Ricardo Boechat, o pessoal do Ministério da Justiça é que tinha que ser chamado às falas pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Causou estranheza o fato de Ricardo Boechat - jornalista com grande quilometragem na imprensa “falada, escrita e televisada” não saber (ou fingir não saber) que Dilma Vanda Luiza Estela Cauby Rousseff — ela mesma, a falsificadora de diplomas que outro dia tentou fazer omelete na tevê mas não conseguiu passar dos ovos mexidos — é a Sinistra Chefe da Casa Civil da Presidência da República. Como diziam os milicos de antanho, o “objetivo precípuo” da Casa Civil é examinar e descascar quaisquer pepinos jurídicos ou legais que estejam, porventura, incrustados nos documentos elaborados pelo governo.
Com a chancela da Casa Civil, os documentos elaborados pelo Poder Executivo (oriundos do Planalto ou de qualquer Ministério) podem seguir tramitando nas outras esferas do Poder (Legislativo ou Judiciário) sem que venham a ser questionados quanto à sua legalidade ou conteúdo. Simples assim. Portanto, ao deixar passar aquele mostrengo por sua mesa (texto que ela, à imagem e semelhança de seu chefe, certamente não leu), Dilma Rousseff tornou-se a principal responsável pelo documento e seu conteúdo. Como tal, Dilma Rousseff é a pessoa que deve prestar esclarecimentos (se é que isso vai dar em alguma coisa) aos integrantes da CCJ do Senado.
A estranheza foi ainda maior porque não foi a primeira vez que o Blog do Lessa, ouvinte assíduo de Ricardo Boechat nas manhãs de segunda a sexta-feira, notou um padrão de comportamento do principal âncora da BandNews FM que, convenhamos, sejamos realistas, sejamos pragmáticos, pode até refletir o padrão editorial da emissora. O padrão exibido ultimamente por Boechat tem sido o de, digamos, uma “combatividade seletiva”: Boechat não se furta a desancar quem quer que seja, dentro ou fora do governo, quando detecta ações que ele considera (por um motivo ou outro) lesivas ao interesse coletivo. No entanto, nos últimos tempos, quando se trata de pegar pesado com Dilma Rousseff (ou mesmo Lulla), Boechat trata de, irritantemente, a sapatear no microfone. Cautelosamente, constrói cenários críticos nos quais nem Dilma nem Lulla são alvejados pela mesma artilharia pesada costumeiramente assestada contra outras pessoas.
Estaríamos diante de um processo de blindagem prévia da candidata do desgoverno à sucessão de Lulla mesmo antes de sua candidatura ser oficialmente declarada? Esta atitude estaria sendo tomada por Boechat por conta própria - ele, que já declarou inúmeras vezes seus laços com a “esquerda” brasileira? Com a palavra, você, leitor(a) do Blog do Lessa. Você também já havia atentado para essse fato?
Depois dos panetones, o poço de lama cuja dragagem é simplesmente impossível, dentro das CNTP. Explico começando pelo que todo mundo já sabe: o governador José Panetone Arruda herdou, feliz, um esquema bem azeitado de corrupção montado por Joaquim Bezerro de Ouro Roriz. Arruda não fez nada para acabar com essa situação, muito pelo contrário — as filmagens da eficiente Durval Produções atestam isso.
Exposto o escândalo, passou-se à fase de investigação e julgamento, com possível punição para os culpados. Aí surge a falha do sistema. O Judiciário entrou no circuito para afastar da Câmara Legislativa todos os pilantras envolvidos pelos vídeos da Durval Produções e tentar um processamento das acusações com um mínimo de lisura e distanciamento. Os deputados foram afastados, mas em seu lugar entraram outros quadrilheiros da mesma estirpe, o que frustrou os esforços da busca pela legalidade. O “bottom line”: Arruda e sua gangue continuarão livres, leves e soltos até o último dia de seus mandatos, fazendo escárnio das instituições enquanto pedem perdão com olhos de lagartixa.
A falha é exatamente esta, dentro de um sistema que se considera democrático: é preciso haver um órgão — seja ele um Colégio de Anciãos, um Cão de Guarda (”Watchdog” ficaria mais natural, na língua pátria), qualquer coisa, absolutamente imune a pressões, que fique de stand-by. Em situações extremas de inviabilidade institucional como essa, o órgão determinaria o fechamento puro e simples da Casa contaminada (neste caso, a Câmara Legislativa), a anulação de todos os mandatos, com vacância total e completa da instituição, e determinaria a eleição de uma nova turma, impedindo automaticamente que os afastados se candidatassem, observadas inclusive as regras do nepotismo (é proibido emplacar sogra, mulher, sobrinho, filho, amante etc).
O Blog do Lessa acredita (e parafraseia Neil Armstrong) que, com esse pequeno passo moralizador, o salto positivo para a política de modo geral seria enorme.
O artigo abaixo foi publicado originalmente no site www.diretodaredacao.com
OS INTELECTUAIS E A POBREZA
No Brasil – o país do futuro com educação do passado, um diz “mata” e o outro diz “esfola”. Por aqui, segundo dados do Indicador de Alfabetismo Nacional, já enfrentamos um problemão: de cada dez brasileiros entre 15 e 64 anos, menos de três são alfabetizados plenos – ou seja, só 25% conseguem ler textos longos, diferenciar um fato de uma opinião, resolver um problema matemático com percentagem ou mesmo interpretar uma simples tabela. O que isso significa? Que o fazendão continua com pouco mais de 75% de analfabetos funcionais. Você realmente acha uma coincidência que o apoio à camarilha que tomou conta dos órgãos públicos a partir do Palácio do Planalto esteja no mesmo patamar?
Dentro dessa panela de pressão onde quase tudo o que cozinha é carne de terceira, envenenando o almoço, há os que se destacam por fazer pose de intelectuais, jogando charme em cima daqueles que mal conseguem assinar o próprio nome e ler o número do ônibus que precisam tomar (quando há transporte coletivo disponível). Não dá nem para falar de ciência e tecnologia: o Brasil do século 21, em termos de prioridade e comprometimento com o estratégico setor, ainda está no século 20. Em reuniões com o perfil do inferno (onde, segundo se informa, habita um monte de gente bem-intencionada), como o tal Fórum Social Mundial, uma dessa figuras – Emir Sader – resolveu citar a Bolívia como exemplo de um outro mundo possível.
E não é que ele tem razão? Na Bolívia, sem saída para o mar, com grande contingente indígena na população, o plantio da coca – a matéria-prima da cocaína – é estimulada sob inúmeros disfarces; as “cholitas”, aquelas pitorescas figurinhas femininas de chapéu côco e longas mantas coloridas, se agacham e fazem cocô em qualquer lugar, sem o menor constrangimento – é um traço cultural daquela sociedade; o pereba que atualmente reina por lá é um lacaio de Hugo Chavez e quer impor, entre outras coisas, restrições à liberdade de imprensa. Tudo isso existe, e tem gente que gosta. Portanto, é um outro mundo possível. Especialmente para gente como Emir Sader, aparentemente nostálgica pela vida do século 19. Afinal, Joãosinho Trinta já bateu o martelo sobre essa questão quando disse que “quem gosta de miséria é intelectual.”
A pergunta é: com os avanços sociais e políticos que, bem ou mal, colocam o fazendão numa situação de liderança na América Latrina – apesar de todos os dedicados esforços de Lulla, Amorim, Top-Top Garcia, Franklin Goebbels et caterva no sentido de puxar o nível para baixo – nós queremos esse outro mundo para nós? É assim que queremos viver, defecando nas ruas sem pavimentação, andando em lombo de burro, anestesiados pelo chá de coca? Os terroristas do Movimento Sem Terra, certamente, devem achar linda essa proposta, assim como a gentalha que os acompanha – geralmente incapaz de jogar um osso de galinha no saco de lixo, depois de comer – é mais fácil jogar por trás dos ombros, caia onde cair. Mas… para o que sobra do fazendão a caminho de se tornar um país, não. Esse definitivamente não é um outro mundo possível. Seria um retrocesso idiota demais. Talvez fosse o caso de Emir Sader, seduzido por esse outro mundo possível, já prontinho para ser desfrutado, se mudar para lá.
Um outro mundo igualmente possível, bem aqui pertinho – mas absolutamente indesejável sob todo e qualquer aspecto – é o da Venezuela, que como diz a marchinha de carnaval é um “país que me seduz: de dia falta água, de noite falta luz.” Sentado em cima de um megabarril de petróleo, o bestalhão Hugo Chavez já perdeu tempo demais e mostrou a que (não) veio. A Venezuela, menor que o Pará e quase do tamanho de Mato Grosso, já deveria ter a esta altura sua população perfeitamente escolarizada, além de inigualáveis serviços de segurança pública, saúde, água e esgoto, urbanização etc. Nada disso. O país é um favelão gigantesco; a administração pública é um exemplo grotesco de incompetência; o clima político é da mais absoluta insegurança; a imprensa livre simplesmente não existe.
A lamentável involução dos governos na América Latrina mostra com maior clareza, a cada dia, que da mesma forma que quem não gosta de mulher vira estilista, são os que não gostam de povo que tomam conta dos palácios. Nos dois casos, paradoxalmente, com a ajuda dos dois grupos.
É isso mesmo que você deseja que continue acontecendo? Então vá tolerando a presença da atual camarilha no poder e trate de perpetuar sua presença votando na candidata Dilma “Cauby Peixoto” DuChefe…
Por Maristela Bairros
Faz horas, estou dando voltas e voltas por sites e mais sites tentando buscar um assunto leve, apropriado para este verão brasileiro, supostamente de descanso para a maioria, de praia, sol, mar etc. Essa coisa idealizada de férias que a gente aprende antes mesmo de nascer. Afinal, engatamos o segundo mês de verão neste ano. Ano, aliás, que deveria nos mobilizar a fundo pela eleição da criatura que, por quatro anos, vai determinar coisas importantes na nossa vida. Como se vamos continuar brincando de ser o país bambambã do mundo, embora tenha gente comprando esmalte e cigarro com dinheiro do bolsa-família. Ou ainda se vamos medir forças com os Estados Unidos numa tragédia como a do Haiti para mostrar que somos o rato que ruge mais poderoso dos novos tempos.
O noticiário, como sempre, não estimula exercícios otimistas. Continua chovendo absurdamente no Brasil e no entorno, gente morre como barata em deslizamentos e vai continuar morrendo porque nem uma autoridade vai se ocupar em impedir que continuem as construções encarapitadas em morros.
Claro, vamos ter mais e mais carros novos nas ruas, porque está tudo maravilhosamente bem para quem já tinha grana, e o povão já se encheu de carnês para exibir novos refrigeradores e ventiladores e fogões em suas casas alugadas ou de invasão. Do que se queixar, então?
Temos um presidente com quase unanimidade de aprovação, capaz de deixar mais atrapalhado que de costume até Caetano Veloso que não sabe se fala mal ou elogia “the man”. Um presidente tão bom, mas tão bom, que teve até um dodói por trabalhar demais em favor do país, ou do que ele pensa ser seu país – os conchavados, os cumpanhêro, os puxa-sacos que o incensam e os falsos que aplaudem em frente e riem debochando pelas costas. E, claro, os hipnotizados por sua mise-em-scène de simples mas sábio e justo.
É verão. O Haiti, paulatinamente, vai deixando as capas de sites, perdendo páginas principais em jornais e revistas, passando a ser uma tragédia a mais na vida de todos. Em breve, haverá quem diga: ah, chega de falar em terremoto do Haiti! Já cansou este assunto! E, de novo, quem se importará com as crianças haitianas mutiladas, com as raptadas, com as prostituídas? Que importarão elas, se não gerarem outras imagens chocantes ou iluminadas de esperança para câmeras e enviados especiais parirem seus textos cheios de maneirismos destinados a arrancar lágrimas dos leitores e espectadores?
É verão. Acho que devo recolher meu mau humor, minha veia crítica antipática e botar meus óculos escuros. Escuros? Nada: vou procurar um de lentes cor-de-rosa. Pode ser que, assim, eu deixe de ser tão chata.
(Originalmente publicado no site www.coletiva.net)
O BRASIL NO HAITI
Seria cômica – se não fosse verdadeiramente trágica – essa obssessão nanica do atual desgoverno em se tornar um “player” de destaque e merecedor de respeito nos assuntos internacionais. Primeiro foi com Honduras, quando a “política externa” de Top-Top Garcia, Amorim e Lulla (no cabresto “político” do bestalhão Hugo Chavez – aquele que está sentado num barril de petróleo, mas que ainda assim comanda um país com 200% de inflação) ficou do lado errado. Preferiu sancionar a ilegalidade, em vez de apoiar a lei e a ordem.
Os diplomatas do Departamento de Estado norte-americano, em geral mais bem treinados e mais objetivos, estudaram o assunto, observaram a letra da lei hondurenha e recolheram os flaps de mansinho. Deixaram o Brasil – o eterno candidato a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU – queimar seu filme mais uma vez. Um dia, quem sabe, ele aprende.
Agora vem o terremoto haitiano – para o “mito” vivo, genuíno filho do barril, com 80% de aprovação popular, uma “intempérie”; para outros, um cataclisma que, segundo alguns, reforça a noção de que Deus não gosta mesmo nem de preto, nem de pobre. Pois bem: o Brasil, que atualmente faz estágio no Haiti com sua modesta mas aplicada força militar, destinada basicamente a prover um poder de polícia no local (ainda que com todos os “shortcomings” derivados da própria ineficácia brasileira no setor), fez biquinho porque os Estados Unidos, quando notaram a magnitude da catástrofe, resolveram mais do que depressa assumir o comando das operações e botar ordem na casa.
E o fizeram por bons motivos: o Haiti está perto do território norte-americano; o êxodo de haitianos desvalidos em massa seria um peso adicional na cambaleante economia dos EUA e o Brasil, reconhecidamente, não dispõe de pessoal nem de material em quantidade suficiente para dar um jeito no caos que se instalou – sem falar nas noções já cristalizadas para outras nações mais adiantadas de que, com raríssimas exceções, (1) o Brasil insiste em pensar pequeno e (2) o Brasil (inclusive seus diplomatas – com honrosas exceções, claro) come feijão mas arrota caviar.
O patético da mentalidade “estagiária”/assembleísta petralha brasileira ficou por conta das deliberações sem fim a respeito de se dobrar o efetivo militar presente no Haiti – algo até agora não resolvido. De mil e poucos soldados, passariam a dois mil e qualquer coisa. Enquanto isso, no Haiti, o pau estava comendo nas ruas, com gente desesperada por comida e tudo o que é de mais básico para sobrevivência, mesmo indigna.
Em dois tempos, os Estados Unidos desembarcaram 11 mil soldados e já devem enviar mais 4 ou 5 mil a qualquer hora, sem falar na montanha de equipamentos e material específico para ajuda humanitária. Na tevê, enquanto isso, foi possível ver que os soldados brasileiros nem organizar os desesperados numa fila para distribuir água e ração conseguiam. Primeiro, porque já conhecemos o estilo de controle policial brasileiro – é só entrar numa fila em qualquer porta de estádio “dessepaíz” para comprar ingressos para jogos de futebol ou shows musicais de envergadura; segundo, porque não há soldados brasileiros suficientes para conter uma turba ensandecida e esfomeada como aquela, ponto final.
Os norte-americanos chegaram e começaram a colocar ordem no trânsito, no aeroporto, na coordenação da distribuição de alimentos etc. É uma ajuda mais que bem-vinda de alguém com muito mais recursos do que os outros que estão lá, ralando. É, sobretudo, uma boa oportunidade de observar, aprender e praticar a ajuda em conjunto. Mas… para os petralhas desocupados, arrogantes (e, ainda bem, cada vez mais reconhecidos como mentirosos de carteirinha) isso não é ajuda, isso é invasão de território estrangeiro – ou, na melhor das hipóteses, um adestramento “in loco” para a soldadesca norte-americana rumo ao Afeganistão, ou ao Iraque.
Paralelamente, no pobre mas insidioso esquema “porque me ufano”, muita fanfarra e publicidade nas comemorações dos 25 anos do aeroporto de Guarulhos, “o maior do Brasil e da América Latina!”. São duas pistas para atender 15 milhões de passageiros por ano. Em contraste, só um aeroporto nos EUA, o de Atlanta, nos cafundós da Georgia, possui cinco pistas e mais de 150 terminais para servir 90 milhões de passageiros por ano.
É difícil entender o desnível? No mundo de hoje, dá para continuar pensando pequeno, olhando para o próprio umbigo e se achando? Se você ainda acha, leia o texto novamente – quantas vezes forem necessárias, até a ficha cair. No fim das contas, ela cairá. Acredite. And call me in the morning.
O artigo republicado abaixo, de Maristela Bairros, foi publicado no site coletiva.net no dia 22 de janeiro.
“Encontrei, faz poucos dias, nos meus guardados, a revista Veja comemorativa aos 100 anos de Proclamação da República que noticia o acontecimento como se estivesse sendo escrita, editada e publicada poucos dias depois de o mulherengo Deodoro da Fonseca ter mandado Dom Pedro II para a terrinha. Li inteira a edição, incluindo até um especial sobre os bancos brasileiros, que me relembrou que o idolatrado Banco do Brasil foi liquidado em 1829, 11 anos depois de D João VI tê-lo criado: os gastos da Coroa causaram o fechamento das portas da primeira versão do BB.
A revista foi feita unindo o trabalho de jornalistas ao de historiadores e, mesmo que pareça até modesta hoje, com erros de revisão que faz com que no mesmo texto apareçam balisar e balizar, estilo um tanto colegial e graficamente sem graça, esta Veja que tinha José Roberto Guzzo como diretor de redação pode ser considerada uma bela peça da imprensa.
Uma das matérias mais interessantes tem por título “Festança sobre o vulcão” e diz respeito ao muito citado mas pouco conhecido baile realizado no então recentemente inaugurado Palácio da Ilha Fiscal. O festerê, uma homenagem ao cruzador chileno Almirante Cochrane e seus 300 tripulantes, que teria vindo ao Brasil numa visitinha de boa vizinhança, custou 250 contos de réis, uma fortuna que representou 10% do orçamento da província do Rio de Janeiro previsto para 1890.
A ceia mobilizou 90 cozinheiros, 150 garçãos, 800 quilos de camarão e 258 caixas de vinho e espumante, entre outros acepipes e beberagens. Afinal, eram 4.500 convidados do então poderoso Visconde de Ouro Preto. O que queria este Golbery d’antanho? Mostrar, com tanta ostentação, numa cidade de povão mergulhado em falta de água, doenças e miséria, que as ideias republicanas eram uma besteira e que o Império era uma instituição muito sólida. Como se veria depois, foi um tiro no pé e o rebu virou símbolo da falência de uma época e sua administração: a tomada do poder pelos republicanos veio, meio no atropelo, mas veio. E da passagem do imperador discreto que preferia ler sobre ciência às festas suntuosas, ficou uma lista bizarra de objetos achados terminado o Baile da Ilha Fiscal: coletes de senhoras, ligas e dragonas. Além de muito úteis lencinhos de cambraia.
Hoje, quando vejo as chamadas na Globo para o filme-exaltação de Lula, a safadeza do governo em enviar um dinheiro para o Haiti que faz falta ao Brasil, que usa artifícios como bolsa-família a fim de maquiar a fome endêmica, a cara de pau do advogado-geral da União ao negar que o presidente está em aberta campanha eleitoral, e o ministro da Justiça Tarso Genro voando com meu dinheiro para tentar garantir vaga no Palácio Piratini, fico saudosa de um tempo que não vivi. O tempo em que um cardiopata e um grupo de inconformados resolveu dar um basta no poder exercido por um chefe simpático, que deu muitos presentes a seu povo, como a abolição da escravatura, mas que, egoísta e vaidoso, preferia a sua zona de conforto a sanar de fato a terra em que nasceu.”
Era só o que faltava. Como se não bastasse o fim da responsabilização dos estudantes (que não tomam mais bomba por não estudar durante o ano letivo), da prática e dos elogios à mediocrização generalizada — a partir do atual ocupante-mor do Planalto, sem falar na tentativa de institucionalização do faroeste no fazendão com o sinistro e insidioso PNDH 3, agora surge o conceito de “droga social”.
Um tal de Jobson (jogador de futebol que nunca comeu melado, mas quando teve a chance de comer se lambuzou), foi apanhado não apenas uma, mas duas vezes no exame antidoping por causa de cocaína. O Supremo Tribunal de Justiça Desportiva, em vez de banir esse vagabundo do esporte de uma vez por todas, suspendeu-o por apenas dois anos. A defesa do jogador — cujo QI é, certamente, um número negativo e por isso mesmo não lhe permite ter nem um lampejo de consciência do seu papel como referência para uma multidão de meninos que aspiram a fama no futebol, um dia — baseou-se numa tese delirante do advogado Carlos Portinho: a de que o crack (substância viciante já no primeiro consumo), uma droga que está devastando a sociedade brasileira nos seus grotões mais profundos, depois de arrasar outros países, é apenas uma “droga social”, que não traz melhora de desempenho dentro de campo.
Por isso, segundo o advogado do jogador, o fato de Jobson usar crack (um derivado ou subproduto da cocaína) não tem nada de mais, em relação ao futebol. O Blog do Lessa suspeita que, pelo nível de enlouquecimento da defesa de Jobson, ela deva ter sido elaborada enquanto o advogado Carlos Portinho experimentava alguma substância que transcende e expande os cinco sentidos.
O Blog do Lessa acha que os dois — o tal Jobson e o tal advogado dele — são dois “crackheads” que deveriam ser banidos de suas respectivas profissões. Jobson, por consumir esse tipo de lixo; o advogado, por tentar (e, aparentemente, conseguir) dar um nó em pingo d’água dessas dimensões diante de uma sociedade que não pode abrir a guarda para um tema tão perigoso quanto esse.
O Botafogo, que anunciou sua intenção de “adotar” o crackhead, simplesmente reitera sua condição de time de segunda linha. Times vencedores não permitem que maçãs podres infestem seus vestiários.
O Blog do Lessa também acredita que a decisão do STJD deveria ser reformada, endurecendo a punição para “banimento”, de forma a deixar claro que esse tribunal ainda não está contaminado por essa escória química que destrói tantas vidas. Para usuários e traficantes de drogas, tolerância zero!
A comentarista política Lúcia Hippólito explicou em seu blog o incidente que causou polêmica e inúmeros comentários a respeito de seu estado, numa intervenção no jornal da CBN ancorado por Roberto Nonato.
Lúcia disse que deve a seus ouvintes “uma explicação, muito mais prosaica do que as interpretações mirabolantes que possam circular por aí.
Desde o dia 10 de janeiro, domingo, estou padecendo de uma pedestre gastroenterite. Melhoro um dia, pioro no outro, e ninguém encontra uma causa plausível.
No dia 13, quarta-feira, errei ao entrar no ar. Estava com muitas cólicas e, na hora de falar, tive uma cólica lancinante. Não conseguia controlar a dor.
Não tenho ideia nem do que falei, mas preferimos cortar a ligação na hora em que larguei o telefone e corri para vocês-sabem-onde.
Tive febre o dia inteiro na quinta. Tomo remédios, faço todo tipo de exame para saber se é um rotavirus, uma simples virose, uma empadinha estragada ou o quê.
É simples assim. Muito menos glamouroso, mas foi o que aconteceu.”
O link para o audio em que Lúcia Hippólito conversa com Roberto Nonato no ar durante sua “cólica lancinante” está três posts abaixo.