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Os Irmãos Grimm do Cerrado
July 2nd, 2009 by claudio lessa

Era uma vez um homem que vivia num grande reino, com terras a perder de vista. Ele tinha um amor e um sentido de proteção extremados por toda a sua família. O homem era muito poderoso, e não deixava que ninguém perturbasse o seu sossego. Apesar de rico, o homem agia como um ladrão de galinhas. Não conseguia distinguir o que era dele e o que era do reino. Com pouca educação formal — afinal, não dava tempo para se sentar nos bancos escolares em meio a tanta atividade de ladroagem –, ele gostava de se passar por literato. Segundo os detratores, ele teria mesmo pago a alguém para escrever livros como se ele fosse o autor. Extremoso com os filhos, procurava garantir o seu futuro, como se tudo o que tivesse roubado ao longo da vida já não fosse suficiente para várias gerações de bem-estar. Um dia, o homem colocou um de seus filhos para cuidar da instalação de luz elétrica nas casas de centenas de milhares de habitantes do reino. O filho, pouco inteligente mas com a mesma índole do pai, logo tratou de fazer seu pé-de-meia por vias tortas. Desviou milhões, milhões e milhões do dinheiro que não lhe pertencia, e que deveria ser empregado na melhora do sistema elétrico. O desvio de dinheiro foi tão grande, mas tão grande, que atraiu a atenção da polícia, que, muito sagaz e eficiente, não teve trabalho para reunir todas as provas necessárias e se preparou para prender o rapaz. O homem, sempre amantíssimo da família, ocupava um cargo político muito importante no reino, conseguido à custa de trapaças no parlamento do reino e por isso mesmo era detestado. No meio da cruel briga política, e sentindo que a justiça estava fungando no cangote de seu filho, o homem, já velho e alquebrado, passando por sucessivas humilhações públicas com todos os seus podres revelados, resolveu dar um basta e propor ao rei a sua saída do importante cargo, desde que a polícia deixasse seu filho em paz.

O fim da estória? Ainda não há. O rei estava viajando com seu séquito pelo outro lado do mundo e o homem não teve chance de conversar a sós com ele, como convém. Não se sabe se ele irá aceitar a barganha.

***

O Blog do Lessa traz até você esta obra de ficção de autor desconhecido, onde fatos e personagens não devem ser confundidos com elementos da vida real, sob o patrocínio de Creolina, Veja, Limpol, Pinho-Sol e Ácido Muriático — que, ainda assim, reconhecem humildemente: os cinco produtos, sozinhos, não conseguirão limpar e desinfetar o Senado.


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