Você deixaria que sua mulher, seus filhos e seus parentes pegassem seu talão de cheques assinados e saíssem por aí, sem destino, sem lenço e sem documento, comprando o que quisessem?
Você deixaria que alguma fundação levasse o seu nome sem que você participasse da administração ou tivesse responsabilidade sobre ela? Em outras palavras, você deixaria que alguém “usasse o seu nome em vão”? Mandasse e desmandasse? Roubasse, desviasse e escondesse, com o seu nome na porta?
O Blog do Lessa vê como mais um irritante capítulo da novela “Desfaçatez”, atualmente em cartaz no Senado Federal, a declaração de José Sarney — segundo o qual ele “não participa da administração, nem tem responsabilidade sobre” a fundação que leva seu nome. Seria até risível se não fosse tão grave, e não envolvesse tantos recursos públicos — recursos que saem do meu, do seu, do nosso bolso para a manutenção do estilo de vida de um sujeito que, segundo se informa, não pode ser julgado pela opinião pública como qualquer um. Onde está escrita essa lei que lhe garante tal privilégio?