Por Maristela Bairros
Faz horas, estou dando voltas e voltas por sites e mais sites tentando buscar um assunto leve, apropriado para este verão brasileiro, supostamente de descanso para a maioria, de praia, sol, mar etc. Essa coisa idealizada de férias que a gente aprende antes mesmo de nascer. Afinal, engatamos o segundo mês de verão neste ano. Ano, aliás, que deveria nos mobilizar a fundo pela eleição da criatura que, por quatro anos, vai determinar coisas importantes na nossa vida. Como se vamos continuar brincando de ser o país bambambã do mundo, embora tenha gente comprando esmalte e cigarro com dinheiro do bolsa-família. Ou ainda se vamos medir forças com os Estados Unidos numa tragédia como a do Haiti para mostrar que somos o rato que ruge mais poderoso dos novos tempos.
O noticiário, como sempre, não estimula exercícios otimistas. Continua chovendo absurdamente no Brasil e no entorno, gente morre como barata em deslizamentos e vai continuar morrendo porque nem uma autoridade vai se ocupar em impedir que continuem as construções encarapitadas em morros.
Claro, vamos ter mais e mais carros novos nas ruas, porque está tudo maravilhosamente bem para quem já tinha grana, e o povão já se encheu de carnês para exibir novos refrigeradores e ventiladores e fogões em suas casas alugadas ou de invasão. Do que se queixar, então?
Temos um presidente com quase unanimidade de aprovação, capaz de deixar mais atrapalhado que de costume até Caetano Veloso que não sabe se fala mal ou elogia “the man”. Um presidente tão bom, mas tão bom, que teve até um dodói por trabalhar demais em favor do país, ou do que ele pensa ser seu país – os conchavados, os cumpanhêro, os puxa-sacos que o incensam e os falsos que aplaudem em frente e riem debochando pelas costas. E, claro, os hipnotizados por sua mise-em-scène de simples mas sábio e justo.
É verão. O Haiti, paulatinamente, vai deixando as capas de sites, perdendo páginas principais em jornais e revistas, passando a ser uma tragédia a mais na vida de todos. Em breve, haverá quem diga: ah, chega de falar em terremoto do Haiti! Já cansou este assunto! E, de novo, quem se importará com as crianças haitianas mutiladas, com as raptadas, com as prostituídas? Que importarão elas, se não gerarem outras imagens chocantes ou iluminadas de esperança para câmeras e enviados especiais parirem seus textos cheios de maneirismos destinados a arrancar lágrimas dos leitores e espectadores?
É verão. Acho que devo recolher meu mau humor, minha veia crítica antipática e botar meus óculos escuros. Escuros? Nada: vou procurar um de lentes cor-de-rosa. Pode ser que, assim, eu deixe de ser tão chata.
(Originalmente publicado no site www.coletiva.net)
O artigo abaixo foi publicado originalmente no site www.diretodaredacao.com
O BRASIL NO HAITI
Por Claudio Lessa
Seria cômica – se não fosse verdadeiramente trágica – essa obssessão nanica do atual desgoverno em se tornar um “player” de destaque e merecedor de respeito nos assuntos internacionais. Primeiro foi com Honduras, quando a “política externa” de Top-Top Garcia, Amorim e Lulla (no cabresto “político” do bestalhão Hugo Chavez – aquele que está sentado num barril de petróleo, mas que ainda assim comanda um país com 200% de inflação) ficou do lado errado. Preferiu sancionar a ilegalidade, em vez de apoiar a lei e a ordem.
Os diplomatas do Departamento de Estado norte-americano, em geral mais bem treinados e mais objetivos, estudaram o assunto, observaram a letra da lei hondurenha e recolheram os flaps de mansinho. Deixaram o Brasil – o eterno candidato a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU – queimar seu filme mais uma vez. Um dia, quem sabe, ele aprende.
Agora vem o terremoto haitiano – para o “mito” vivo, genuíno filho do barril, com 80% de aprovação popular, uma “intempérie”; para outros, um cataclisma que, segundo alguns, reforça a noção de que Deus não gosta mesmo nem de preto, nem de pobre. Pois bem: o Brasil, que atualmente faz estágio no Haiti com sua modesta mas aplicada força militar, destinada basicamente a prover um poder de polícia no local (ainda que com todos os “shortcomings” derivados da própria ineficácia brasileira no setor), fez biquinho porque os Estados Unidos, quando notaram a magnitude da catástrofe, resolveram mais do que depressa assumir o comando das operações e botar ordem na casa.
E o fizeram por bons motivos: o Haiti está perto do território norte-americano; o êxodo de haitianos desvalidos em massa seria um peso adicional na cambaleante economia dos EUA e o Brasil, reconhecidamente, não dispõe de pessoal nem de material em quantidade suficiente para dar um jeito no caos que se instalou – sem falar nas noções já cristalizadas para outras nações mais adiantadas de que, com raríssimas exceções, (1) o Brasil insiste em pensar pequeno e (2) o Brasil (inclusive seus diplomatas – com honrosas exceções, claro) come feijão mas arrota caviar.
O patético da mentalidade “estagiária”/assembleísta petralha brasileira ficou por conta das deliberações sem fim a respeito de se dobrar o efetivo militar presente no Haiti – algo até agora não resolvido. De mil e poucos soldados, passariam a dois mil e qualquer coisa. Enquanto isso, no Haiti, o pau estava comendo nas ruas, com gente desesperada por comida e tudo o que é de mais básico para sobrevivência, mesmo indigna.
Em dois tempos, os Estados Unidos desembarcaram 11 mil soldados e já devem enviar mais 4 ou 5 mil a qualquer hora, sem falar na montanha de equipamentos e material específico para ajuda humanitária. Na tevê, enquanto isso, foi possível ver que os soldados brasileiros nem organizar os desesperados numa fila para distribuir água e ração conseguiam. Primeiro, porque já conhecemos o estilo de controle policial brasileiro – é só entrar numa fila em qualquer porta de estádio “dessepaíz” para comprar ingressos para jogos de futebol ou shows musicais de envergadura; segundo, porque não há soldados brasileiros suficientes para conter uma turba ensandecida e esfomeada como aquela, ponto final.
Os norte-americanos chegaram e começaram a colocar ordem no trânsito, no aeroporto, na coordenação da distribuição de alimentos etc. É uma ajuda mais que bem-vinda de alguém com muito mais recursos do que os outros que estão lá, ralando. É, sobretudo, uma boa oportunidade de observar, aprender e praticar a ajuda em conjunto. Mas… para os petralhas desocupados, arrogantes (e, ainda bem, cada vez mais reconhecidos como mentirosos de carteirinha) isso não é ajuda, isso é invasão de território estrangeiro – ou, na melhor das hipóteses, um adestramento “in loco” para a soldadesca norte-americana rumo ao Afeganistão, ou ao Iraque.
Paralelamente, no pobre mas insidioso esquema “porque me ufano”, muita fanfarra e publicidade nas comemorações dos 25 anos do aeroporto de Guarulhos, “o maior do Brasil e da América Latina!”. São duas pistas para atender 15 milhões de passageiros por ano. Em contraste, só um aeroporto nos EUA, o de Atlanta, nos cafundós da Georgia, possui cinco pistas e mais de 150 terminais para servir 90 milhões de passageiros por ano.
É difícil entender o desnível? No mundo de hoje, dá para continuar pensando pequeno, olhando para o próprio umbigo e se achando? Se você ainda acha, leia o texto novamente – quantas vezes forem necessárias, até a ficha cair. No fim das contas, ela cairá. Acredite. And call me in the morning.
O artigo republicado abaixo, de Maristela Bairros, foi publicado no site coletiva.net no dia 22 de janeiro.
“Encontrei, faz poucos dias, nos meus guardados, a revista Veja comemorativa aos 100 anos de Proclamação da República que noticia o acontecimento como se estivesse sendo escrita, editada e publicada poucos dias depois de o mulherengo Deodoro da Fonseca ter mandado Dom Pedro II para a terrinha. Li inteira a edição, incluindo até um especial sobre os bancos brasileiros, que me relembrou que o idolatrado Banco do Brasil foi liquidado em 1829, 11 anos depois de D João VI tê-lo criado: os gastos da Coroa causaram o fechamento das portas da primeira versão do BB.
A revista foi feita unindo o trabalho de jornalistas ao de historiadores e, mesmo que pareça até modesta hoje, com erros de revisão que faz com que no mesmo texto apareçam balisar e balizar, estilo um tanto colegial e graficamente sem graça, esta Veja que tinha José Roberto Guzzo como diretor de redação pode ser considerada uma bela peça da imprensa.
Uma das matérias mais interessantes tem por título “Festança sobre o vulcão” e diz respeito ao muito citado mas pouco conhecido baile realizado no então recentemente inaugurado Palácio da Ilha Fiscal. O festerê, uma homenagem ao cruzador chileno Almirante Cochrane e seus 300 tripulantes, que teria vindo ao Brasil numa visitinha de boa vizinhança, custou 250 contos de réis, uma fortuna que representou 10% do orçamento da província do Rio de Janeiro previsto para 1890.
A ceia mobilizou 90 cozinheiros, 150 garçãos, 800 quilos de camarão e 258 caixas de vinho e espumante, entre outros acepipes e beberagens. Afinal, eram 4.500 convidados do então poderoso Visconde de Ouro Preto. O que queria este Golbery d’antanho? Mostrar, com tanta ostentação, numa cidade de povão mergulhado em falta de água, doenças e miséria, que as ideias republicanas eram uma besteira e que o Império era uma instituição muito sólida. Como se veria depois, foi um tiro no pé e o rebu virou símbolo da falência de uma época e sua administração: a tomada do poder pelos republicanos veio, meio no atropelo, mas veio. E da passagem do imperador discreto que preferia ler sobre ciência às festas suntuosas, ficou uma lista bizarra de objetos achados terminado o Baile da Ilha Fiscal: coletes de senhoras, ligas e dragonas. Além de muito úteis lencinhos de cambraia.
Hoje, quando vejo as chamadas na Globo para o filme-exaltação de Lula, a safadeza do governo em enviar um dinheiro para o Haiti que faz falta ao Brasil, que usa artifícios como bolsa-família a fim de maquiar a fome endêmica, a cara de pau do advogado-geral da União ao negar que o presidente está em aberta campanha eleitoral, e o ministro da Justiça Tarso Genro voando com meu dinheiro para tentar garantir vaga no Palácio Piratini, fico saudosa de um tempo que não vivi. O tempo em que um cardiopata e um grupo de inconformados resolveu dar um basta no poder exercido por um chefe simpático, que deu muitos presentes a seu povo, como a abolição da escravatura, mas que, egoísta e vaidoso, preferia a sua zona de conforto a sanar de fato a terra em que nasceu.”
Era só o que faltava. Como se não bastasse o fim da responsabilização dos estudantes (que não tomam mais bomba por não estudar durante o ano letivo), da prática e dos elogios à mediocrização generalizada — a partir do atual ocupante-mor do Planalto, sem falar na tentativa de institucionalização do faroeste no fazendão com o sinistro e insidioso PNDH 3, agora surge o conceito de “droga social”.
Um tal de Jobson (jogador de futebol que nunca comeu melado, mas quando teve a chance de comer se lambuzou), foi apanhado não apenas uma, mas duas vezes no exame antidoping por causa de cocaína. O Supremo Tribunal de Justiça Desportiva, em vez de banir esse vagabundo do esporte de uma vez por todas, suspendeu-o por apenas dois anos. A defesa do jogador — cujo QI é, certamente, um número negativo e por isso mesmo não lhe permite ter nem um lampejo de consciência do seu papel como referência para uma multidão de meninos que aspiram a fama no futebol, um dia — baseou-se numa tese delirante do advogado Carlos Portinho: a de que o crack (substância viciante já no primeiro consumo), uma droga que está devastando a sociedade brasileira nos seus grotões mais profundos, depois de arrasar outros países, é apenas uma “droga social”, que não traz melhora de desempenho dentro de campo.
Por isso, segundo o advogado do jogador, o fato de Jobson usar crack (um derivado ou subproduto da cocaína) não tem nada de mais, em relação ao futebol. O Blog do Lessa suspeita que, pelo nível de enlouquecimento da defesa de Jobson, ela deva ter sido elaborada enquanto o advogado Carlos Portinho experimentava alguma substância que transcende e expande os cinco sentidos.
O Blog do Lessa acha que os dois — o tal Jobson e o tal advogado dele — são dois “crackheads” que deveriam ser banidos de suas respectivas profissões. Jobson, por consumir esse tipo de lixo; o advogado, por tentar (e, aparentemente, conseguir) dar um nó em pingo d’água dessas dimensões diante de uma sociedade que não pode abrir a guarda para um tema tão perigoso quanto esse.
O Botafogo, que anunciou sua intenção de “adotar” o crackhead, simplesmente reitera sua condição de time de segunda linha. Times vencedores não permitem que maçãs podres infestem seus vestiários.
O Blog do Lessa também acredita que a decisão do STJD deveria ser reformada, endurecendo a punição para “banimento”, de forma a deixar claro que esse tribunal ainda não está contaminado por essa escória química que destrói tantas vidas. Para usuários e traficantes de drogas, tolerância zero!
A comentarista política Lúcia Hippólito explicou em seu blog o incidente que causou polêmica e inúmeros comentários a respeito de seu estado, numa intervenção no jornal da CBN ancorado por Roberto Nonato.
Lúcia disse que deve a seus ouvintes “uma explicação, muito mais prosaica do que as interpretações mirabolantes que possam circular por aí.
Desde o dia 10 de janeiro, domingo, estou padecendo de uma pedestre gastroenterite. Melhoro um dia, pioro no outro, e ninguém encontra uma causa plausível.
No dia 13, quarta-feira, errei ao entrar no ar. Estava com muitas cólicas e, na hora de falar, tive uma cólica lancinante. Não conseguia controlar a dor.
Não tenho ideia nem do que falei, mas preferimos cortar a ligação na hora em que larguei o telefone e corri para vocês-sabem-onde.
Tive febre o dia inteiro na quinta. Tomo remédios, faço todo tipo de exame para saber se é um rotavirus, uma simples virose, uma empadinha estragada ou o quê.
É simples assim. Muito menos glamouroso, mas foi o que aconteceu.”
O link para o audio em que Lúcia Hippólito conversa com Roberto Nonato no ar durante sua “cólica lancinante” está três posts abaixo.
COMISSÃO DAS MEIAS VERDADES
O cataclisma de proporções bíblicas que acabou dissolvendo o que antes era conhecido como Haiti, mostrou a força do destino, à qual ninguém se opõe. A velha Hispaniola, dividida em dois territórios (Haiti e República Dominicana), já experimentou seu quinhão de catástrofes ao longo da História até esse golpe magistral de crueldade geológica que não conhece limites e parece possuir um sentido de oportunidade especial para pegar nações pobres no contrapé. O imponderável embutido no terremoto também nos levou Zilda Arns. A médica, nobre mulher, que estava em local relativamente seguro, correu para a morte, postando-se numa sacada que desabou. O padre de 76 anos que estava com ela não a seguiu; manteve-se no mesmo lugar e sobreviveu, ainda que com pequenos ferimentos na cabeça. Enfim… como disse @Bobfilho no twitter, “vão-se as Zildas, ficam as Dilmas…”
Mas veja, leitor(a): ao contrário do que se propaga na internet, comparar a crueza de dois desastres naturais (Haiti X Angra dos Reis), acompanhando os comentários com as habituais reclamações de que haitianos têm merecido mais ajuda do que os brasileiros é uma falácia. Ambos são graves, mas a distância entre as situações é enorme. O Haiti, além de paupérrimo, tem um povo vilipendiado ao longo de sua História por governos da pior qualidade. Não é à toa que todos correram para ajudar. Já o desastre de Angra dos Reis resulta de uma combinação de burrice (de cidadãos) com corrupção (que, em sua raiz, também não deixa de ser burra). É apenas uma amarga lição para aqueles míopes que se dispõem a construir casas em pés de morros contando com burocratas não apenas igualmente míopes, mas dispostos a cometer atos ilegais.
***
A politicalha brasileira assiste, inerte, a mais um ato criminoso perpetrado por aquele que se pretende “líder”, “mito”, “o cara”. A “Comissão das Meias Verdades” descaracteriza o que seria uma importante etapa no processo de reconciliação do Brasil com o seu passado. Não é admissível que, ainda hoje, mais de uma centena de famílias brasileiras não conheçam o destino de seus filhos, maridos, mulheres, irmãos que se insurgiram contra um governo que consideravam injusto e autoritário. Os arquivos precisam ser abertos, os nomes precisam ser conhecidos. A esta altura, julgamentos e punições são desnecessários: os erros precisam ser estudados e incorporados às páginas de nossa História para que não se repitam.
Entretanto, da mesma forma e com igual importância, os excessos cometidos por um grupelho especializado em violência precisam ser analisados. Seus nomes devem ser publicados e seus pedidos de perdão veiculados amplamente – tal como eles exigem que os militares o façam. Da mesma forma e com importância ainda maior, as vítimas inocentes que ainda restam dessas ações terroristas da “esquerda” burra (essa que insiste em não desencarnar da década de 70) precisam ser ressarcidas financeiramente pelo Bolsa Ditadura com idêntica generosidade com que os subversivos que as praticaram foram ressarcidos – esses apenas por serem de esquerda e se refestelarem, hoje, num desgoverno aparelhado por aqueles que Millor Fernandes, com sagacidade, classificou não como patriotas, mas como investidores.
Aqui, uma pequena crônica da corrupção anunciada: já se vão mais de dois anos que o Brasil sabe que vai sediar a Copa do Mundo de 2014. Passada a euforia inicial, o que se vê é um país absolutamente imobilizado quando se fala nos preparativos (que são muitos) para a maior competição do futebol internacional. Claro, não é de se surpreender: as eleições de 2010 são o prato principal do cardápio da politicalha e da corruptalha que decide eventos como esse, e tudo vai depender de como ficará a divisão de forças políticas no dia primeiro de janeiro de 2011.
Qual o sub-produto imediato dessa inação que deixa a politicalha e a corruptalha salivando, leitor(a)? A urgência em se tomar medidas que deveriam ter sido tomadas há um ano, deveriam estar sendo tomadas agora, e que não serão tomadas até que tudo fique em cima da hora. Aí, surgirão os célebres “contratos emergenciais”, com dispensa de licitação, que farão a festa “pros mesmos”, como Jô Soares costumava dizer.
Tudo igualzinho a sempre, exceto, claro, se o mundo acabar em 2012 como avisa o calendário Maia. Aí, é o Juízo Final… onde @OCriador não permitirá o contraditório nem o amplo direito de defesa.
…com seu comentário preconceituoso a respeito dos garis - que demonstrou, acima de tudo, falta de profissionalismo, já que locutor nenhum que está no ar, ao vivo, se arrisca a fazer quaisquer comentários, uma vez que nos intervalos o microfone pode continuar aberto (como aconteceu esta e inúmeras vezes no passado com diversos outros profissionais e políticos).
Agora, a internet é invadida por uma participação da comentarista política da CBN, Lucia Hippólito, aparentemente sem controle absoluto sobre o que deveria estar falando. Diversos sites já se adiantaram e declararam que ela estaria, simplesmente, bêbada no ar. O apresentador Roberto Nonato foi rápido ao perceber o problema (que a produção não pegou e permitiu que ela entrasse no ar daquele jeito) e desceu pano rápido para evitar mais constrangimentos. A comentarista, até o momento, não deu sua versão para o incidente. Ouça a gravação aqui e tire suas próprias conclusões.
O decreto da incompetência
(Editorial do jornal O Estado de S. Paulo, há exatos 168 dias sob censura)
Acuado pela ampla reação contrária ao Programa Nacional dos Direitos Humanos criticado até por ministros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu recuar para evitar custos políticos maiores, mas procurou poupar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua candidata à Presidência da República. Ela é, no entanto, pelo menos tão responsável quanto o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, pelo embaraço causado ao presidente. De certo modo, sua responsabilidade é maior, porque cabe à Casa Civil a avaliação final de qualquer projeto encaminhado ao chefe do governo. Segundo informação daquela Pasta, só os aspectos legais do programa foram analisados. Isso equivale à confissão de uma falha. É função do gabinete civil não só a “verificação prévia da constitucionalidade e da legalidade dos atos presidenciais”, mas também a “análise do mérito, da oportunidade e da compatibilidade das propostas, inclusive das matérias em tramitação no Congresso Nacional, com as diretrizes governamentais”. Não é preciso pesquisar a legislação para descobrir esses dados. Tudo isso está nas páginas da Casa Civil, facilmente acessíveis pelo site do Palácio do Planalto.
Não tem sentido, em termos administrativos, lançar sobre o secretário Paulo Vannuchi toda a responsabilidade pela desastrosa publicação do decreto sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos. O secretário fez um péssimo trabalho em todos os sentidos, muito ruim como projeto para o País e politicamente custoso para o governo, mas o texto foi submetido a uma instância intermediária, antes de chegar ao chefe de governo. O presidente alegou ter assinado sem ler. Não explicou se o fez por aversão à leitura, mas, de toda forma, deve ter confiado no trabalho de seus auxiliares. Se confiou, errou.
Com esse escorregão, a ministra Dilma Rousseff demonstrou de forma irrefutável seu despreparo para mais um cargo federal. Já havia mostrado sua inépcia ao chefiar o Ministério de Minas e Energia, onde sua gestão foi abaixo de inexpressiva. Chamada para a Casa Civil, foi desde o início poupada, pelo presidente, de toda a responsabilidade pela articulação política. Foi-lhe atribuída a gerência dos investimentos federais e, em 2007, o presidente Lula entregou-lhe a coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mais que isso, ele a nomeou “mãe do PAC”. Mais uma vez a ministra demonstrou sua inépcia gerencial, desmentindo novamente sua injustificável fama de executiva.
No ano passado, o de melhor desempenho na execução das obras, o Tesouro desembolsou apenas 65% do valor previsto no orçamento para o programa. Além disso, pouco mais de metade do total desembolsado correspondeu a restos a pagar. Mas o presidente Lula ainda não está saciado. Persistente, decidiu proporcionar à ministra Dilma Rousseff a oportunidade invejável de exibir sua inépcia no posto mais alto da administração nacional, a Presidência da República. Se Lula tiver sucesso, terá contribuído de forma notável para a revisão do Peter Principle, divulgado em 1969 pelo professor Lawrence Johnston Peter: “Numa hierarquia, todo funcionário tende a subir até seu nível de incompetência.” Na formulação revista, ampliada e já comprovada em parte, a ascensão pode continuar por níveis de incompetência cada vez mais altos e mais perigosos para a organização ou, neste caso, para o País.
Não se sabe se Lula conseguirá transferir para sua candidata prestígio suficiente para permitir sua eleição. Neste momento, ele está empenhado em transferir-lhe um de seus atributos mais invejáveis, semelhante à propriedade principal das panelas teflon. Graças a essa propriedade, nenhum escândalo grudou em sua figura e nenhum erro importante maculou sua imagem, pelo menos perante uma grande parcela dos cidadãos. Ao isentar a chefe da Casa Civil de responsabilidade pelo desastroso decreto, Lula procura transformá-la numa candidata igualmente imune a prejuízos de imagem. Na terça-feira, por exemplo, ele a conduziu ao primeiro grande evento eleitoral de 2010, em Brasília, perante uma plateia de prefeitos, governadores e parlamentares. A cerimônia teve até beija-mão, protagonizado pelo presidente do Congresso, senador José Sarney. Foram liberados na ocasião R$ 3 bilhões para prefeituras, destinados ao programa de habitação popular. Um grande investimento, sem dúvida, pelo menos na candidatura oficial.
O Blog do Lessa se une a todos os que comemoram uma vida coroada de vitórias. Valeu, Zilda!
Neste momento, já se cristalizou a noção de que a marreta cinematográfica sobre o “mito” Lulla é um retumbante fracasso de bilheteria. As estréias foram lotadas apenas porque todos os aspones e baba-ovos que aparelham o atual desgoverno tinham que mostrar sua lealdade ao chefe. Missão cumprida, público que é público mesmo, nada. Outro dia, na coluna do Ancelmo Gois, o registro: apenas onze espectadores num cinema do Leblon. Abundam as ofertas de ingressos gratuitos pela internet, sem falar na oferta de entradas por menos da metade do preço para incentivar os incautos.
O que tudo isso quer dizer (ou, pelo menos, espera-se que queira dizer) em relação a 2010 e o processo sucessório que terá lugar em outubro? Talvez seja wishful thinking, mas o Blog do Lessa acredita que o fracasso de bilheteria representa nada mais, nada menos, do que o desnudamento de uma verdade: o carisma de Lulla não será passado adiante com a facilidade que todos os hipotéticos 80% de simpatizantes do lulo-petismo, aparentemente convencidos da (ainda) validade do voto de burrice que fizeram e continuam a professar.
Isso significa, por sua vez, que o atual desgoverno não pode (e não deve) achar que a eleição do poste chamado Dilma Vana Estela Luiza Wanda Rousseff sejam favas contadas. (Mesmo porque a natureza chupa-cabra de Lulla sempre tendeu a absorver a energia daqueles que o rodeiam, e não o contrário - vide Fabio “Velho Barreiro” Barreto, diretor de “Lulla, o Filho do Barril”, o roqueiro Lenny Kravitz, os esportistas Popó, Massa, Roberto Carlos, Guga, sem falar no Corinthians 2007/08 e no São Paulo na reta final do Brasileirão 2009 etc.)
Isso significa também, espera-se, que o eleitor brasileiro — para desespero dos Vanucchis, Franklins, Genros e outros tantos da vida — atingiu, apesar de tudo, um patamar mínimo de compreensão de um simples fato que já é notícia velha em outras terras (e que agora, com a globalização, desembarca em nossas praias para que todos possam ver com seus próprios olhos): políticos de esquerda, direita, centro, de trás, de frente, de cima, de baixo ou de viés são esterco do mesmo pasto. Estão sujeitos às mesmas tentações do poder, e rotineiramente sucumbem a elas igualmente.
Por mais tortas que sejam as linhas dessa mensagem certa, esse fato pode resultar, daqui para a frente, numa sadia alternância de poder entre os diversos grupos dominantes da política no fazendão. A partir de agora, os eleitores estarão menos dispostos a serem cabrestados e mais interessados em ver quem pode levar o país adiante com segurança e determinação, defendendo os interesses da maioria, sem se preocupar com questões menores (como o revanchismo desse imbecil texto sobre “Direitos Dus Manos” e suas ramificações sovietizantes). Pode representar, portanto, o início de um processo de depuração.
Too much wishful thinking? Temos que acompanhar os desdobramentos da política em 2010 para ver.
O artigo abaixo foi publicado originalmente no site www.diretodaredacao.com.
QUANTO VALE UM RAFALE?
“Ora, veja só: entramos em 2010, onde a modernidade toma conta de tudo – dos aparelhos eletrônicos à legalização do casamento gay, só para descobrirmos que a corrupção é saudosista. Nada como os velhos métodos para se continuar surrupiando dinheiro que todos nós suamos para pagar de impostos neste fazendão sem lei.
Saudade não tem idade, dizia a estação de rádio. Os corruptos “defepaíf” não se esquecem disso, até quando saem às compras para a força aérea do fazendão. É bem verdade que nesse saudosismo há um componente de segurança – por que mudar os métodos se eles sempre deram certo? – mas, para quem vive a realidade eletrônica de 2010 que filma e dissemina até dinheiro guardado nas meias, é possível constatar a obsolescência do ritual.
Para começo de conversa, a própria tentativa de aquisição de minguados 36 caças a jato para uma força aérea encarregada de proteger um fazendão desse tamanho soa como uma piada velha de português. Quando se adiciona os submarinos nucleares – ou melhor, um (1) submarino nuclear, então, as justificativas são de fazer chorar: proteção do território, proteção do “pré-sal”, e por aí vai. Sniff, sniff. Estamos em 2010, num mundo globalizado, infinitamente mais complexo do que aquele que justificou, outrora, uma força aérea de potencial desequilibrador decisivo. Uma força aérea para um país continental precisaria de pelo menos 5 ou 6 vezes mais aviões – para complementar, com presteza, um trabalho feito em outra esfera, a da informação.
O fazendão vive, na prática, em plena era da informação – muito mais valiosa, perigosa, fundamental, influente do que qualquer outra arma. Mas os corruptos nem querem saber disso. Ainda há espaço para ganhar dinheiro “in the old-fashioned way”, claro. E o que eles fazem? Adotam o velho ritual da licitação internacional que demora para sempre mas que, no fundo, já tem ganhador decidido. Rola até o esforço manco de promoção do ano do Brasil na França e do ano da França no Brasil, além do anúncio de “homem do ano” para o perpetrador-mor da maracutaia, como se ninguém percebesse o que está acontecendo.
Acontece que esse tipo de picaretagem simplória (mas eficiente) funcionava no passado, quando não havia internet, a troca de informações não se dava em tempo real e não incluía o público em geral. Agora, a coisa fica bem mais complicada e as perguntas – sempre incômodas – vão surgindo sem cessar.
Por exemplo: por que o Brasil já acertou a compra de 36 caças Rafale franceses por 5 bilhões e 800 milhões de dólares? Cada avião sai por volta de 162 milhões de dólares. É uma nota preta. Agora… por que a India, coleguinha do BRIC, que rejeitou ainda no estágio de avaliação técnica a compra de 126 (cento e vinte e seis, você leu direitinho) caças Rafale, pagaria iguais 10 bilhões de dólares? Para a India, cada aviãozinho (“Não é aviãozinho, mamãe, é um Rafale!”, diria a versão 2010 do comercial do Danoninho) custaria cerca de 80 milhões de dólares. Opa! Êpa! Sobram pouco mais de 80 milhões de dólares por cada avião – que, nessa equação, são capazes, por exemplo, de transformar a espetaculosa avenida Água Espraiada num simples beco. Mais sobre essa água suja que sobra pra todo lado numa notícia velha, disponível no link http://bit.ly/8rOkEh. Afinal de contas, é preciso resgatar a memória nacional.
Em ano eleitoral, onde a situação pretende fazer com que a população do fazendão engula uma ex-terrorista e atual falsificadora de diplomas universitários (que, no item “experiência administrativa” de sua folha corrida, nem síndica de prédio foi) como presidente, à frente de um estado bolivariano-chavista defensor dos “direitos humanos”, esse é, sem sombra de dúvida, um santo dinheirinho. Para quem não nasceu ontem, fica dolorosamente óbvio que a corrupção – essa doença crônica que infecta os governos do Brasil há décadas – está, mais uma vez, desempenhando um papel muito forte nessa negociação.
Em tempo: o que falta(va) de memória (ou mesmo de interesse) aos brasileiros que ainda se interessam pelo futuro de seu país, nessa luta inglória contra a corrupção, sobra no Google. Foi lá que se encontrou a informação (êta palavra perigosa, essa!) veiculada numa agência indiana de notícias (em inglês) sobre a rejeição aos caças franceses. A notícia é datada de 16 de abril de 2009 – muito antes, portanto, da confusão instaurada por essas bandas. Veja por você mesmo(a) em http://bit.ly/7ZVNBZ.
É o seu bolso, contribuinte.”
Com todo o respeito por todas as beldades deste mundo…
Você quer ver um exemplo de jornalismo doidão, quando o tema principal é a falta de assunto? Então, vamos lá. O quadro, na rádio CBN, se chama “Dia a Dia da Economia, com Miriam Leitão”. O apresentador Heródoto Barbeiro pergunta a ela sobre a confusão em torno dos caças da FAB. A jornalista, claramente, não tem fato novo algum para noticiar. Depois de requentar o noticiário dos últimos dias – o qual refere-se, basicamente, ao fato de que a FAB prefere os aviões suecos em detrimento dos franceses e americanos (o que cria uma saia justíssima para o desgoverno, que já havia manifestado interesse pelos franceses) – ela resolve unir dentro da mesma panela os dois contratempos de Lulla com seus ministros da área militar (direitos humanos e aviões). Isso não deixa de fazer sentido jornalístico, mas a “economia” continua passando longe. Depois de deitar mais falação, e agora travestida de juíza, Miriam Leitão dá seu veredito: no caso dos direitos humanos, os militares estão completamente errados. No caso dos aviões, os militares têm que ser ouvidos.
Miriam Leitão está errada e meio. Por quê? Porque no caso dos direitos humanos, ao contrário do que ela afirmou no rádio – isolando a responsabilidade pelos excessos na área de violação dos direitos humanos a um só lado, o dos quartéis – os dois lados cometeram abusos, e abusos grandes. Muita gente inocente morreu por causa disso. Dos dois lados. E quando a “anistia ampla, geral e irrestrita” veio, ela veio para os dois lados. O objetivo era zerar a conta dos dois lados. Dos dois lados.
Quando ela usa o espaço da “economia” para fazer jornalismo opinativo e deixar a economia lá longe, é um direito dela (se a CBN acha correto), mas é preciso equilíbrio. Quer dizer que o Brasil é o único país da América Latrina que não examinou seu passado ditatorial? OK, vamos examinar, então. Mas é preciso isenção para examinar. E é preciso examinar o que ocorreu dos dois lados, não apenas do lado militar. É para revelar nomes e locais e circunstâncias de desaparecimento de pessoas envolvidas na luta contra a ditadura? Perfeitamente. Mas é preciso que isso ocorra dos dois lados. Os militares contam o que sabem, mostram os documentos que têm, e os terroristas também. Analisam-se os erros, os livros de História registram o período, e a Nação – pacificada de vez após enfrentar seu passado – segue em frente. A turbulência ficou para trás, e agora ex-inimigos seguem juntos para enfrentar os novos desafios que surgem no continuado processo de construção de um grande país.
Qual é o problema? Aparentemente, nenhum. Exceto que os terroristas de ontem são o governo de hoje, auxiliados por oportunistas de todos os lados. Uma terrorista, ladra, falsificadora de diplomas e potencial assassina, por exemplo, é o principal nome do desgoverno para suceder o atual ocupante do Planalto. Há isenção? Há clima? Não. Fica clara, então, a pressão da “esquerda” rançosa, a “esquerda burra”, aquela que ainda não desencarnou dos anos 60, que deseja montar tribunais de esquina para julgar e condenar seus antigos algozes. Aliás, esse tipo de bravata, em ano eleitoral, é lindo. Por outro lado, não se deve esquecer que a própria Miriam Leitão tem um pequeno grande interesse pessoal nessa questão, já que teria sido agredida pelas forças da ditadura quando jovem militante. Há isenção? Não. E fica a pergunta? É para examinar, estudar e aprender com os erros do passado, ou… julgar? Se é para julgar, é preciso julgar os dois lados – milicos e terroristas. Atenção: se julgar for a opção, corre-se o risco de liquefazer o atual desgoverno, aparelhado até a medula. A “pré-candidata”, por exemplo, seria uma das primeiras a ter que se sentar no banco dos réus, despedaçando o processo eleitoral em curso.
No caso dos direitos humanos, portanto, Miriam Leitão está errada. Já no caso dos caças da FAB, Miriam Leitão está meio errada simplesmente por proferir seu veredito com certo desdém na voz. Sim, ela afirma que os militares têm que ser ouvidos – mas diz isso como se fosse necessário fazer uma mera concessão aos quartéis, quebrar o galho dos militares nessa parada. Não. É preciso dizer, com todas as letras e com firmeza (e não com desdém na voz), que essa decisão – aliás, uma decisão completamente inócua e perdulária por parte deste ou qualquer outro governo – é técnica por excelência (daí a necessidade de se ouvir a Aeronáutica, que no fim das contas vai voar com o diabo do avião), não envolve qualquer esquema de parceria estratégica ou política, e que a decisão final (por parte do presidente) não pode se desviar desses parâmetros. Qualquer “disposição em contrário” é responsabilidade total e completa do presidente. E, vamos e venhamos: se dentro das CNTP um presidente já não tem condições de decidir sobre um complicado assunto desses, imagine com o atual. Em outras palavras: qualquer decisão que não siga estritamente a recomendação da área técnica específica deve jogar toda a responsabilidade nos ombros de quem está sentado no Planalto. Sem divisão, sem cortina de fumaça.
Foto histórica: farinha do mesmo saco — ou esterco do mesmo pasto.
Você teve a chance de ler a Folha de SPaulo (ou O Globo) de domingo, 3 de janeiro? Na coluna do Elio Gaspari, um pesquisador se deu ao tedioso trabalho de verificar os números dos governos FHC e Lulla. Mais especificmente, o professor Claudio Salm mastigou pacientemente os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 1996 e 2002 (governos tucanos) e, em seguida, a de 2008 (governo petista).
A idéia — tão propalada em propagandas sem fim — de que Lulla não apenas descobriu o Brasil, como o formou, reinventou e deu chance a todos de uma vida feliz para sempre não passa de, como diz Elio Gaspari, de propaganda desonesta. Os números tediosamente analisados pelo professor Salm provam isso.
O que o professor Claudio Salm descobriu é que, nas três PNADs estudadas, há uma progressão linear de progresso, sem saltos nem buracos significativos. Se você quiser mais detalhes, dê uma olhada na coluna de Gaspari (disponíveis n’O Globo ou na Folha de SP).
Em resumo, o que isso quer dizer? Quer dizer, simplesmente, que o progresso obtido pelos dois governos ocorreu num ritmo constante, sem grandes avanços ou recuos. E exatamente por causa disso, é impossível — além de imoral, ilegal, safado etc — querer fazer concurso de miss na próxima eleição, do tipo FHC fez mais, ou Lulla fez mais. Mentira. Os dois fizeram exatamente o mesmo.
Bottom line: o que vai ser preciso obter dos candidatos, sejam eles quais forem, é indicação - promessa - garantia de investimentos em infraestrutura. Por quê? Porque o Brasil está quase que completamente carente de infraestrutura (em todos os níveis) para dar suporte ao desenvolvimento gerado por essa bonança econômica registrada nos governos FHC e Lulla. Quais os pontos críticos dessa infraestrutura? Corredores de exportação, estradas, segurança pública, escolas, saúde, sistemas político e judiciário ágeis e confiáveis, brutal redução nos níveis de corrupção governamental, etc etc etc. Nesses e outros quesitos, o Brasil de FHC e Lulla leva nota zero. E são notas com pesos muito grandes e definidos dentro de um sistema que não coloca ninguém em recuperação, nem abre as portas para segunda época.