Você teve a chance de ler a Folha de SPaulo (ou O Globo) de domingo, 3 de janeiro? Na coluna do Elio Gaspari, um pesquisador se deu ao tedioso trabalho de verificar os números dos governos FHC e Lulla. Mais especificmente, o professor Claudio Salm mastigou pacientemente os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 1996 e 2002 (governos tucanos) e, em seguida, a de 2008 (governo petista).
A idéia — tão propalada em propagandas sem fim — de que Lulla não apenas descobriu o Brasil, como o formou, reinventou e deu chance a todos de uma vida feliz para sempre não passa de, como diz Elio Gaspari, de propaganda desonesta. Os números tediosamente analisados pelo professor Salm provam isso.
O que o professor Claudio Salm descobriu é que, nas três PNADs estudadas, há uma progressão linear de progresso, sem saltos nem buracos significativos. Se você quiser mais detalhes, dê uma olhada na coluna de Gaspari (disponíveis n’O Globo ou na Folha de SP).
Em resumo, o que isso quer dizer? Quer dizer, simplesmente, que o progresso obtido pelos dois governos ocorreu num ritmo constante, sem grandes avanços ou recuos. E exatamente por causa disso, é impossível — além de imoral, ilegal, safado etc — querer fazer concurso de miss na próxima eleição, do tipo FHC fez mais, ou Lulla fez mais. Mentira. Os dois fizeram exatamente o mesmo.
Bottom line: o que vai ser preciso obter dos candidatos, sejam eles quais forem, é indicação - promessa - garantia de investimentos em infraestrutura. Por quê? Porque o Brasil está quase que completamente carente de infraestrutura (em todos os níveis) para dar suporte ao desenvolvimento gerado por essa bonança econômica registrada nos governos FHC e Lulla. Quais os pontos críticos dessa infraestrutura? Corredores de exportação, estradas, segurança pública, escolas, saúde, sistemas político e judiciário ágeis e confiáveis, brutal redução nos níveis de corrupção governamental, etc etc etc. Nesses e outros quesitos, o Brasil de FHC e Lulla leva nota zero. E são notas com pesos muito grandes e definidos dentro de um sistema que não coloca ninguém em recuperação, nem abre as portas para segunda época.