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O Significado de Um Fracasso de Bilheteria
January 12th, 2010 by claudio lessa

Neste momento, já se cristalizou a noção de que a marreta cinematográfica sobre o “mito” Lulla é um retumbante fracasso de bilheteria. As estréias foram lotadas apenas porque todos os aspones e baba-ovos que aparelham o atual desgoverno tinham que mostrar sua lealdade ao chefe. Missão cumprida, público que é público mesmo, nada. Outro dia, na coluna do Ancelmo Gois, o registro: apenas onze espectadores num cinema do Leblon. Abundam as ofertas de ingressos gratuitos pela internet, sem falar na oferta de entradas por menos da metade do preço para incentivar os incautos.

O que tudo isso quer dizer (ou, pelo menos, espera-se que queira dizer) em relação a 2010 e o processo sucessório que terá lugar em outubro? Talvez seja wishful thinking, mas o Blog do Lessa acredita que o fracasso de bilheteria representa nada mais, nada menos, do que o desnudamento de uma verdade: o carisma de Lulla não será passado adiante com a facilidade que todos os hipotéticos 80% de simpatizantes do lulo-petismo, aparentemente convencidos da (ainda) validade do voto de burrice que fizeram e continuam a professar.

Isso significa, por sua vez, que o atual desgoverno não pode (e não deve) achar que a eleição do poste chamado Dilma Vana Estela Luiza Wanda Rousseff sejam favas contadas. (Mesmo porque a natureza chupa-cabra de Lulla sempre tendeu a absorver a energia daqueles que o rodeiam, e não o contrário - vide Fabio “Velho Barreiro” Barreto, diretor de “Lulla, o Filho do Barril”, o roqueiro Lenny Kravitz, os esportistas Popó, Massa, Roberto Carlos, Guga, sem falar no Corinthians 2007/08 e no São Paulo na reta final do Brasileirão 2009 etc.)

Isso significa também, espera-se, que o eleitor brasileiro — para desespero dos Vanucchis, Franklins, Genros e outros tantos da vida — atingiu, apesar de tudo, um patamar mínimo de compreensão de um simples fato que já é notícia velha em outras terras (e que agora, com a globalização, desembarca em nossas praias para que todos possam ver com seus próprios olhos): políticos de esquerda, direita, centro, de trás, de frente, de cima, de baixo ou de viés são esterco do mesmo pasto. Estão sujeitos às mesmas tentações do poder, e rotineiramente sucumbem a elas igualmente.

Por mais tortas que sejam as linhas dessa mensagem certa, esse fato pode resultar, daqui para a frente, numa sadia alternância de poder entre os diversos grupos dominantes da política no fazendão. A partir de agora, os eleitores estarão menos dispostos a serem cabrestados e mais interessados em ver quem pode levar o país adiante com segurança e determinação, defendendo os interesses da maioria, sem se preocupar com questões menores (como o revanchismo desse imbecil texto sobre “Direitos Dus Manos” e suas ramificações sovietizantes). Pode representar, portanto, o início de um processo de depuração.

Too much wishful thinking? Temos que acompanhar os desdobramentos da política em 2010 para ver.


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