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Deu no “Direto da Redação”…
Jan 18th, 2010 by claudio lessa

O artigo abaixo foi publicado originalmente no site www.diretodaredacao.com

COMISSÃO DAS MEIAS VERDADES

Por Claudio Lessa

O cataclisma de proporções bíblicas que acabou dissolvendo o que antes era conhecido como Haiti, mostrou a força do destino, à qual ninguém se opõe. A velha Hispaniola, dividida em dois territórios (Haiti e República Dominicana), já experimentou seu quinhão de catástrofes ao longo da História até esse golpe magistral de crueldade geológica que não conhece limites e parece possuir um sentido de oportunidade especial para pegar nações pobres no contrapé. O imponderável embutido no terremoto também nos levou Zilda Arns. A médica, nobre mulher, que estava em local relativamente seguro, correu para a morte, postando-se numa sacada que desabou. O padre de 76 anos que estava com ela não a seguiu; manteve-se no mesmo lugar e sobreviveu, ainda que com pequenos ferimentos na cabeça. Enfim… como disse @Bobfilho no twitter, “vão-se as Zildas, ficam as Dilmas…”

Mas veja, leitor(a): ao contrário do que se propaga na internet, comparar a crueza de dois desastres naturais (Haiti X Angra dos Reis), acompanhando os comentários com as habituais reclamações de que haitianos têm merecido mais ajuda do que os brasileiros é uma falácia. Ambos são graves, mas a distância entre as situações é enorme. O Haiti, além de paupérrimo, tem um povo vilipendiado ao longo de sua História por governos da pior qualidade. Não é à toa que todos correram para ajudar. Já o desastre de Angra dos Reis resulta de uma combinação de burrice (de cidadãos) com corrupção (que, em sua raiz, também não deixa de ser burra). É apenas uma amarga lição para aqueles míopes que se dispõem a construir casas em pés de morros contando com burocratas não apenas igualmente míopes, mas dispostos a cometer atos ilegais.

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A politicalha brasileira assiste, inerte, a mais um ato criminoso perpetrado por aquele que se pretende “líder”, “mito”, “o cara”. A “Comissão das Meias Verdades” descaracteriza o que seria uma importante etapa no processo de reconciliação do Brasil com o seu passado. Não é admissível que, ainda hoje, mais de uma centena de famílias brasileiras não conheçam o destino de seus filhos, maridos, mulheres, irmãos que se insurgiram contra um governo que consideravam injusto e autoritário. Os arquivos precisam ser abertos, os nomes precisam ser conhecidos. A esta altura, julgamentos e punições são desnecessários: os erros precisam ser estudados e incorporados às páginas de nossa História para que não se repitam.

Entretanto, da mesma forma e com igual importância, os excessos cometidos por um grupelho especializado em violência precisam ser analisados. Seus nomes devem ser publicados e seus pedidos de perdão veiculados amplamente – tal como eles exigem que os militares o façam. Da mesma forma e com importância ainda maior, as vítimas inocentes que ainda restam dessas ações terroristas da “esquerda” burra (essa que insiste em não desencarnar da década de 70) precisam ser ressarcidas financeiramente pelo Bolsa Ditadura com idêntica generosidade com que os subversivos que as praticaram foram ressarcidos – esses apenas por serem de esquerda e se refestelarem, hoje, num desgoverno aparelhado por aqueles que Millor Fernandes, com sagacidade, classificou não como patriotas, mas como investidores.

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Aqui, uma pequena crônica da corrupção anunciada: já se vão mais de dois anos que o Brasil sabe que vai sediar a Copa do Mundo de 2014. Passada a euforia inicial, o que se vê é um país absolutamente imobilizado quando se fala nos preparativos (que são muitos) para a maior competição do futebol internacional. Claro, não é de se surpreender: as eleições de 2010 são o prato principal do cardápio da politicalha e da corruptalha que decide eventos como esse, e tudo vai depender de como ficará a divisão de forças políticas no dia primeiro de janeiro de 2011.

Qual o sub-produto imediato dessa inação que deixa a politicalha e a corruptalha salivando, leitor(a)? A urgência em se tomar medidas que deveriam ter sido tomadas há um ano, deveriam estar sendo tomadas agora, e que não serão tomadas até que tudo fique em cima da hora. Aí, surgirão os célebres “contratos emergenciais”, com dispensa de licitação, que farão a festa “pros mesmos”, como Jô Soares costumava dizer.

Tudo igualzinho a sempre, exceto, claro, se o mundo acabar em 2012 como avisa o calendário Maia. Aí, é o Juízo Final… onde @OCriador não permitirá o contraditório nem o amplo direito de defesa.

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