*Cabrestado (Dic do Lulla) = cabra abestado que vive no cabresto de pilantras e/ou assassinos e/ou ladrões.
Composição fotográfica: Rede blogspelademocracia.blogspot.com
Publicada em http://blog-bymel.blogspot.com/
Roriz fala da crise no DF em horário eleitoral gratuito
O problema do bolão gaúcho não vai ser resolvido tão cedo - isso, se vier a ser resolvido algum dia. Já há o antecedente de outra situação igual, ocorrida no Centro Oeste, que até hoje não deu em nada.
O que resta disso tudo? A descoberta (ainda que tardia) de que boa parte dos bolões das casas lotéricas (apesar de proibidos e não fiscalizados) é feita da seguinte forma: o dono da lotérica agrupa números e faz uma lista. Os incautos que resolvem participar não sabem que a aposta ainda não foi feita. Só depois, quando houver gente suficiente (e o dono da lotérica não se “esquecer” de passar a aposta na máquina) ela será feita.
Esse é o problema que ocorreu no RS. Ele abre uma porta para o crime de estelionato e deixa um gosto mais-que-amargo na boca dqueles que se sentiram milionários por algum tempo, além de reforçar a queimação crônica de filme da Mega Sena.
Se você ainda pretende continuar apostando, o ideal é fazer seus bolões entre seus amigos e conhecidos. Leve a cartela à lotérica mais próxima e você, mesmo(a), faz a aposta na máquina, dentro do prazo estabelecido. Tire cópias para todos os participantes e guarda o original da aposta em seu poder e espere pelo melhor.
Se você apostar em casas lotéricas, exija ver o comprovante da aposta realizada no original. Só aquele papel com os números e as assinaturas dos participantes — o chamado compromisso entre você e a lotérica — não vale o buraco da rosca. Lógico, você não vai poder ficar com o original, mas o fato de ele existir, fisicamente — e de você poder conferir data, número do sorteio etc, demonstra que o dono da lotérica não está pretendendo dar o cano, dessa vez. Ainda assim, não custa ficar com um pé (ou os dois) atrás.
O dinheiro é seu.
O artigo abaixo é de Maristela Bairros, e foi publicado no site coletiva.net
Ódio: como evitar?
“Não odeie, querido. Ódio é uma palavra muito forte”. Adorável esta frase, proferida com inigualável cinismo, por Kathleen Turner na cena de abertura de “Serial Mom” . Para quem esqueceu ou não viu, trata-se daquela comédia de John Waters que exibe uma mãe “de comercial de margarina” que se revela uma psicopata capaz de se divertir até dizendo obscenidades ao telefone enquanto mantém a pose.
A recomendação de Beverly, a personagem, é dada em meio ao café matinal, enquanto a família (ela, o marido e um casal de filhos) comenta um assassinato noticiado no jornal.
De fato. A frase “eu odeio” é pesada, cruel como poucas capazes de expressar um estado humano de insatisfação. Animais não odeiam, eles brigam, se matam até, mas não odeiam, ao menos é o que dizem os experts e eu acredito. Já quando alguém afirma que está com ódio, o clima é perceptível à distância. Aquela onda emitida a partir deste sentimento vai envolvendo o ambiente e quem nele está, e não precisa nem haver um assassinato, como no filme, para ele ocorrer de fato: o ódio mata por si só.
Não odiar é tão fundamental para o equilíbrio da vida quanto respirar e Deus cochilou ao esquecer de incluir esta lei em sua táboa dos 10 mandamentos. Se tivesse sido mais específico, mesmo correndo o risco de ver a gentalha guiada por Moisés construir bezerros de ouro na primeira dificuldade, o Todo-Poderoso houvesse evitado tanta desgraceira.
Em 2007, o garotinho João Hélio entrou na vida de cada brasileiro ao ser morto enquanto era arrastado por quilômetros, preso à cadeirinha de segurança do carro de sua mãe que fora assaltada por um grupo de marginais. Ele tinha seis anos de idade. Um dos assaltantes tinha 17 anos e já então todos ficaram sabendo que, logo, ele estaria livre. A libertação, atendendo à lei brasileira, se deu no dia 10 último. Com direito a programa de proteção sob os auspícios do governo em colaboração com a ong Projeto Legal.
Tem de ter muita força espiritual, nessa hora, para evitar o nefando sentimento de ódio (que ronda qualquer um que tenha uma pontinha de sensibilidade) em relação a um matador de inocente ganhar as ruas e direito de “repensar sua vida” enquanto os familiares de sua vítima carregam, sem solução, a dor desta perda. E ninguém pode fazer nada para evitar esse absurdo.
Convém evitar o ódio a Ezequiel Toledo Lima, hoje com 19 anos, assassino confesso, envolvido em episódio de agressão durante sua detenção, que está protegido em lugar não revelado por, segundo a tal ong, correr risco de morte. Humano, falível, vítima de condições inadequadas de existência, dirão seus defensores. Mas conseguirão estes defensores ser tão cínicos a ponto de sobrepor a miséria de Ezequiel, o matador amparado, à saudade dos pais de João Hélio?
Sem ódio, mas, com santa indignação, deveriam todos os pais deste Brasil se mexer para evitar que uma lei torta continue premiando os bandidos e punindo duas vezes suas vítimas. Se a noção de certo e errado, justo e injusta for perdida neste país sem controle de nada, em breve se estará fazendo o que fizeram os roqueiros de “Serial Mom”, confirmando a dona de casa assassina como ídolo.
O artigo abaixo foi publicado em 21 fev 2010 no site www.diretodaredacao.com
SÍNDROME DA SUBSERVIÊNCIA
Por Claudio Lessa
Um dos maiores males do Brasil – talvez o segundo maior, depois da catástrofe que é a educação – é a Síndrome da Subserviência. Acho que já falei isso aqui antes, mas não custa nada repetir. Especialmente quando se tem um exemplo tão interessante e oportuno de como isso deve ser tratado, dia após dia, até que o Brasil possa se tornar um país de verdade, e não um mero fazendão onde um auto-proclamado “mito” e seus aspones andam cabrestados por um bestalhão venezuelano e exaltam figurinhas carimbadas como o iraniano Nejadinho ou o cubano Fidel, El Coma Andante.
A Síndrome da Subserviência é um mal mundial, mas suas nuances e intensidade variam de país para país. Exemplo: nos EUA, bastou Obama ser eleito para sua mulher, Michelle, virar símbolo sexual para muitos… brasileiros. No Brasil, este é um reflexo de que o mal está enraizado desde os tempos coloniais e é difícil, quase impossível, de ser tratado. Seu sintoma principal é a transformação – muitas vezes súbita, assustadora – de uma pessoa supostamente normal num completo puxa-saco (o antigo “lambe-botas”, hoje o insofismável “baba-ovo”) de alguém que tem poder. Simplesmente isso. O poder (seja ele em qualquer grau) é o elemento que dá ignição à Síndrome da Subserviência.
A perda da consciência crítica é um perigoso indicativo da Síndrome. Em 2001, pouco depois de ter decidido voltar a passar uns tempos no Brasil, fui trabalhar na TV Senado como funcionário terceirizado. Uma das tarefas foi editar um especial sobre cinema, como pano de fundo para um festival realizado em Tiradentes (MG) que recebia o suporte de alguns senadores (e era usado por eles, claro, como trampolim político).
Um dos segmentos previa a inserção de uma entrevista com o então todo-poderoso senador José Roberto Arruda (mais tarde, vítima do painel eletrônico que o levou à renúncia e mais recentemente, de uma enxurrada de panetones que o levou à cadeia). Se minha memória quase centenária não falha, sua excelência tinha um projeto relacionado com algum tipo de incentivo reunindo produção de cinema e o público infantil. Na fita bruta, a repórter que o entrevistou fazia uma pergunta sobre o projeto e colocava o microfone na boca de sua então excelência. Durante todas as perguntas (2 ou 3, não sei ao certo) e mesmo com o microfone já apontado para sua boca, o então senador apertava os olhinhos, sorria com a boca fechada e movia a brilhosa carequinha de um lado para o outro, negativamente, sem dizer palavra.
Depois da tentativa infrutífera de uma entrevista, já que ele não abria a boca – sinal de que não sabia absolutamente do que se tratava, a repórter teve que abrir o jogo. Explicou que sua excelência tinha um projeto assim, assim, assado, cozido, que estava na comissão tal e qual etc, etc etc. Repetidas as perguntas, o então senador deu as respostas como se soubesse perfeitamente do que estava falando. Fim da entrevista.
Indignado, eu me virei para o editor de VT e disparei: “Esse cara não vai entrar no especial. Nem sabia do que se tratava!” Cauteloso, aparentemente já num adiantado estado da Síndrome da Subserviência (a clarividência é um dos sintomas mais agudos), o editor me respondeu: “Olha lá, Lessa, esse é o seu futuro governador…” Fui rápido no gatilho: “Meu não, negão! Só se for seu! Mas ele está fora, de qualquer jeito. O sujeito nem se interessa em se informar com antecedência sobre um assunto que diz respeito a ele, diretamente!”
Com efeito, o tal especial sobre cinema – que eu nem sei se acabou indo ao ar – não conteve uma palavra sobre o então senador José Roberto Arruda. Mas é bem possível que a invisível teia de aranha que permeia senadores, aspones e funcionários daquela Casa tenha feito chegar aos ouvidos de sua então excelência, de alguma forma, a decisão tomada por este reles editor – que, aliás, insatisfeito com as condições de trabalho e salário como terceirizado, acabou tirando o time de campo depois de uns dois ou três meses ali. Por algum motivo, nos encontros fortuitos com sua ex-excelência havidos a partir daí em eventos sociais (obs.: eu nunca me encontrei com ele antes do fato relatado acima) e especialmente depois do incidente da violação do painel e sua subsequente renúncia, posso dizer que, por coincidência ou não, o olhar que sua ex-excelência me dirigia era, digamos, muito pouco amistoso.
Refletindo no pós-fato, percebo que nunca fui acometido pela Síndrome da Subserviência, e que recebi uma espécie de dose de reforço da vacina contra o mal nos cerca de 20 anos em que morei nos EUA – uma terra em que alguns costumam dizer que “todos são iguais perante a lei, embora alguns sejam mais iguais do que os outros”. No entanto, um número muito maior costuma raciocinar (e se basear nela para agir) da seguinte forma – bem crua, aliás: do operário ao presidente da república, passando pelos políticos e capitães de indústria, big shots, celebridades, mendigos e ricaços etc, todos limpam o traseiro da mesma forma quando vão ao banheiro. Portanto… não há, realmente, muita diferença entre nós. Pense nisso.
O artigo abaixo foi publicado no site www.diretodaredacao.com
PARTICIPAÇÃO ZERO
As inacreditáveis manifestações do mensaleiro-mor da República de “abatimento” ao saber da prisão do governador José Roberto Panetone Arruda, de “choque” ao ver as imagens de maços de dinheiro trocando de mãos e a recomendação expressa de que o mensaleiro-júnior não sofresse qualquer tipo de constrangimento depois de decretada sua prisão preventiva pelo STJ, mais do que qualquer outra coisa, dão o tom calhorda do cinismo, da impunidade e do espírito associativo da máfia que tomou conta da Praça dos 3 Poderes.
Não importa o partido, não importa a orientação ideológica. Como disseram numa emissora de rádio outro dia, toda essa corja possui o mesmo DNA. Um sente a dor do outro. Semana passada, escrevi sobre a necessidade urgente, urgentíssima, de um aperfeçoamento básico do sistema democrático brasileiro – o “recall” dos representantes eleitos. Estendi a exigência do “recall” para os membros do Judiciário (que passariam, em boa parte, a ser eleitos também e, portanto, sujeitos à medida).
Essa providência democrática, somada a outras que muitos de vocês possam ter, tem como objetivo inserir – eu não diria re-inserir, de forma alguma – a opinião pública, o povo, o eleitor no sistema. Há muito tempo o povo deixou de ter conexão com o chamado “sistema democrático”. Sua única participação, decorativa, se limita ao rito do voto, quando todos, obrigados, formam fila e se dirigem às cabines eletrônicas (também alvo de suspeitas cada vez maiores) para a escolha de seus representantes. No Brasil, esse “gap” é cada vez maior, mais evidente, prejudicial e doloroso para toda a sociedade.
A prisão de José Roberto Panetone Arruda ocorreu não por causa do treminhão de provas (escritas e em vídeo) contra ele e seus asseclas – provas que, ao que se informa, se estendem ao reinado do “Homem do Bezerro de Ouro”, Joaquim Roriz e, por isso mesmo, deveriam render cadeia não só para os de hoje, mas para os de ontem, também. O Rei do Panetone foi preso porque estava interferindo, pura e simplesmente, nas investigações. Foi preso também porque seu nível de escárnio diante dos acontecimentos, por palavras e obras, superou o tolerável para algumas autoridades que, mesmo possivelmente contaminadas em outras instâncias, desejam manter um nível mínimo de decoro que deve existir até mesmo entre os criminosos.
Dentro desse quadro de criminalidade desbragada, é mais do que natural que Lulla se declare “abatido” com a prisão de Arruda. Afinal, ao contrário de suas expectativas – ainda que seus dois mandatos estejam sobrecarregados de corrupção – “algema”, “prisão”, “cadeia” e outros verbetes relacionados são considerados altamente constrangedores e causadores de pânico. A malta que tomou conta de Brasília nos últimos 8 anos simplesmente procurou superar os recordes olímpicos das administrações anteriores e, como as outras, cair fora incólume, nada mais que isso.
Em tempo: as algemas, mais do que simples preventivo de segurança para a polícia, são também, sim, uma humilhação pública e têm que ser usadas em todos os que caem nas garras da lei, indiscriminadamente. Se o Rei do Panetone – considerado por Gilmar Dantas e outras cabeças coroadas da corrupção “dessepaiz” como não merecedor de usar algemas – não quisesse passar pelo constrangimento, muito simples: era só não se meter em falcatruas. No entanto, como a regra básica da máfia é um cobrir o traseiro do outro…
Hoje cedo, o jornalista Ricardo Boechat — acostumado a diatribes regulares contra qualquer um e contra todos, no melhor estilo do saudoso Vicente Leporace — abriu fogo contra o já combalido Senado Federal e seus integrantes por causa da convocação de Dilma Rousseff para explicar o famigerado Plano Nacional de Direitos Humanos 3. Mal comparando, esse PNDH3, redigido por um bando de ex-terroristas, é equivalente a um Estatuto da Criança e do Adolescente redigido por um grupelho de pedófilos. Para Ricardo Boechat, o pessoal do Ministério da Justiça é que tinha que ser chamado às falas pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Causou estranheza o fato de Ricardo Boechat - jornalista com grande quilometragem na imprensa “falada, escrita e televisada” não saber (ou fingir não saber) que Dilma Vanda Luiza Estela Cauby Rousseff — ela mesma, a falsificadora de diplomas que outro dia tentou fazer omelete na tevê mas não conseguiu passar dos ovos mexidos — é a Sinistra Chefe da Casa Civil da Presidência da República. Como diziam os milicos de antanho, o “objetivo precípuo” da Casa Civil é examinar e descascar quaisquer pepinos jurídicos ou legais que estejam, porventura, incrustados nos documentos elaborados pelo governo.
Com a chancela da Casa Civil, os documentos elaborados pelo Poder Executivo (oriundos do Planalto ou de qualquer Ministério) podem seguir tramitando nas outras esferas do Poder (Legislativo ou Judiciário) sem que venham a ser questionados quanto à sua legalidade ou conteúdo. Simples assim. Portanto, ao deixar passar aquele mostrengo por sua mesa (texto que ela, à imagem e semelhança de seu chefe, certamente não leu), Dilma Rousseff tornou-se a principal responsável pelo documento e seu conteúdo. Como tal, Dilma Rousseff é a pessoa que deve prestar esclarecimentos (se é que isso vai dar em alguma coisa) aos integrantes da CCJ do Senado.
A estranheza foi ainda maior porque não foi a primeira vez que o Blog do Lessa, ouvinte assíduo de Ricardo Boechat nas manhãs de segunda a sexta-feira, notou um padrão de comportamento do principal âncora da BandNews FM que, convenhamos, sejamos realistas, sejamos pragmáticos, pode até refletir o padrão editorial da emissora. O padrão exibido ultimamente por Boechat tem sido o de, digamos, uma “combatividade seletiva”: Boechat não se furta a desancar quem quer que seja, dentro ou fora do governo, quando detecta ações que ele considera (por um motivo ou outro) lesivas ao interesse coletivo. No entanto, nos últimos tempos, quando se trata de pegar pesado com Dilma Rousseff (ou mesmo Lulla), Boechat trata de, irritantemente, a sapatear no microfone. Cautelosamente, constrói cenários críticos nos quais nem Dilma nem Lulla são alvejados pela mesma artilharia pesada costumeiramente assestada contra outras pessoas.
Estaríamos diante de um processo de blindagem prévia da candidata do desgoverno à sucessão de Lulla mesmo antes de sua candidatura ser oficialmente declarada? Esta atitude estaria sendo tomada por Boechat por conta própria - ele, que já declarou inúmeras vezes seus laços com a “esquerda” brasileira? Com a palavra, você, leitor(a) do Blog do Lessa. Você também já havia atentado para essse fato?
Depois dos panetones, o poço de lama cuja dragagem é simplesmente impossível, dentro das CNTP. Explico começando pelo que todo mundo já sabe: o governador José Panetone Arruda herdou, feliz, um esquema bem azeitado de corrupção montado por Joaquim Bezerro de Ouro Roriz. Arruda não fez nada para acabar com essa situação, muito pelo contrário — as filmagens da eficiente Durval Produções atestam isso.
Exposto o escândalo, passou-se à fase de investigação e julgamento, com possível punição para os culpados. Aí surge a falha do sistema. O Judiciário entrou no circuito para afastar da Câmara Legislativa todos os pilantras envolvidos pelos vídeos da Durval Produções e tentar um processamento das acusações com um mínimo de lisura e distanciamento. Os deputados foram afastados, mas em seu lugar entraram outros quadrilheiros da mesma estirpe, o que frustrou os esforços da busca pela legalidade. O “bottom line”: Arruda e sua gangue continuarão livres, leves e soltos até o último dia de seus mandatos, fazendo escárnio das instituições enquanto pedem perdão com olhos de lagartixa.
A falha é exatamente esta, dentro de um sistema que se considera democrático: é preciso haver um órgão — seja ele um Colégio de Anciãos, um Cão de Guarda (”Watchdog” ficaria mais natural, na língua pátria), qualquer coisa, absolutamente imune a pressões, que fique de stand-by. Em situações extremas de inviabilidade institucional como essa, o órgão determinaria o fechamento puro e simples da Casa contaminada (neste caso, a Câmara Legislativa), a anulação de todos os mandatos, com vacância total e completa da instituição, e determinaria a eleição de uma nova turma, impedindo automaticamente que os afastados se candidatassem, observadas inclusive as regras do nepotismo (é proibido emplacar sogra, mulher, sobrinho, filho, amante etc).
O Blog do Lessa acredita (e parafraseia Neil Armstrong) que, com esse pequeno passo moralizador, o salto positivo para a política de modo geral seria enorme.
O artigo abaixo foi publicado originalmente no site www.diretodaredacao.com
OS INTELECTUAIS E A POBREZA
No Brasil – o país do futuro com educação do passado, um diz “mata” e o outro diz “esfola”. Por aqui, segundo dados do Indicador de Alfabetismo Nacional, já enfrentamos um problemão: de cada dez brasileiros entre 15 e 64 anos, menos de três são alfabetizados plenos – ou seja, só 25% conseguem ler textos longos, diferenciar um fato de uma opinião, resolver um problema matemático com percentagem ou mesmo interpretar uma simples tabela. O que isso significa? Que o fazendão continua com pouco mais de 75% de analfabetos funcionais. Você realmente acha uma coincidência que o apoio à camarilha que tomou conta dos órgãos públicos a partir do Palácio do Planalto esteja no mesmo patamar?
Dentro dessa panela de pressão onde quase tudo o que cozinha é carne de terceira, envenenando o almoço, há os que se destacam por fazer pose de intelectuais, jogando charme em cima daqueles que mal conseguem assinar o próprio nome e ler o número do ônibus que precisam tomar (quando há transporte coletivo disponível). Não dá nem para falar de ciência e tecnologia: o Brasil do século 21, em termos de prioridade e comprometimento com o estratégico setor, ainda está no século 20. Em reuniões com o perfil do inferno (onde, segundo se informa, habita um monte de gente bem-intencionada), como o tal Fórum Social Mundial, uma dessa figuras – Emir Sader – resolveu citar a Bolívia como exemplo de um outro mundo possível.
E não é que ele tem razão? Na Bolívia, sem saída para o mar, com grande contingente indígena na população, o plantio da coca – a matéria-prima da cocaína – é estimulada sob inúmeros disfarces; as “cholitas”, aquelas pitorescas figurinhas femininas de chapéu côco e longas mantas coloridas, se agacham e fazem cocô em qualquer lugar, sem o menor constrangimento – é um traço cultural daquela sociedade; o pereba que atualmente reina por lá é um lacaio de Hugo Chavez e quer impor, entre outras coisas, restrições à liberdade de imprensa. Tudo isso existe, e tem gente que gosta. Portanto, é um outro mundo possível. Especialmente para gente como Emir Sader, aparentemente nostálgica pela vida do século 19. Afinal, Joãosinho Trinta já bateu o martelo sobre essa questão quando disse que “quem gosta de miséria é intelectual.”
A pergunta é: com os avanços sociais e políticos que, bem ou mal, colocam o fazendão numa situação de liderança na América Latrina – apesar de todos os dedicados esforços de Lulla, Amorim, Top-Top Garcia, Franklin Goebbels et caterva no sentido de puxar o nível para baixo – nós queremos esse outro mundo para nós? É assim que queremos viver, defecando nas ruas sem pavimentação, andando em lombo de burro, anestesiados pelo chá de coca? Os terroristas do Movimento Sem Terra, certamente, devem achar linda essa proposta, assim como a gentalha que os acompanha – geralmente incapaz de jogar um osso de galinha no saco de lixo, depois de comer – é mais fácil jogar por trás dos ombros, caia onde cair. Mas… para o que sobra do fazendão a caminho de se tornar um país, não. Esse definitivamente não é um outro mundo possível. Seria um retrocesso idiota demais. Talvez fosse o caso de Emir Sader, seduzido por esse outro mundo possível, já prontinho para ser desfrutado, se mudar para lá.
Um outro mundo igualmente possível, bem aqui pertinho – mas absolutamente indesejável sob todo e qualquer aspecto – é o da Venezuela, que como diz a marchinha de carnaval é um “país que me seduz: de dia falta água, de noite falta luz.” Sentado em cima de um megabarril de petróleo, o bestalhão Hugo Chavez já perdeu tempo demais e mostrou a que (não) veio. A Venezuela, menor que o Pará e quase do tamanho de Mato Grosso, já deveria ter a esta altura sua população perfeitamente escolarizada, além de inigualáveis serviços de segurança pública, saúde, água e esgoto, urbanização etc. Nada disso. O país é um favelão gigantesco; a administração pública é um exemplo grotesco de incompetência; o clima político é da mais absoluta insegurança; a imprensa livre simplesmente não existe.
A lamentável involução dos governos na América Latrina mostra com maior clareza, a cada dia, que da mesma forma que quem não gosta de mulher vira estilista, são os que não gostam de povo que tomam conta dos palácios. Nos dois casos, paradoxalmente, com a ajuda dos dois grupos.
É isso mesmo que você deseja que continue acontecendo? Então vá tolerando a presença da atual camarilha no poder e trate de perpetuar sua presença votando na candidata Dilma “Cauby Peixoto” DuChefe…