Hoje, descobri que sou meio cabocla. Por parte de marido. O lindinho morava num sítio aqui em Colombo e depois de uns anos vim morar também. E nessa minha caboclice tenho seguido a vida até bem feliz. Estou cercada de mata virgem ainda por todos os lados. Tenho uma vizinha que mora a uma certa distância cujo apelido é Índia, apesar de ser branca, foi criada pelos Caingangues e apesar de ser evangélica, pede sempre que vou à minha “igreja” se for gira de Caboclo que peça por ela e pela família dela.
As crianças juram que já ouviram índios assobiando na mata, e uns indiozinhos correndo por aqui… A cada dia que passa acho que nós estamos é vivenciando mais nossa tribo familiar. Já não gosto de ir ao centro de Curitiba como fazia antes. Meu filho do meio não entra em shopping nem amarrado: “dá falta de ar”… E o cheiro da cidade então? O peso das pessoas…É uma mistura muito grande e não estamos mais acostumados. Lidei muitos anos da minha vida com jornais, propaganda e artes plásticas e sinceramente não me fazem mais falta.
É cada coisa que acontece aqui! Meu caçulinha chegou um dia pra me acordar as 8 horas da manhã porque tinha uma entidade querendo falar comigo e ele achava que era um boiadeiro. Não era uma entidade, era seo Tadeu, um vizinho que tinha vindo à cavalo “pra mó de prosiá” com o lindinho, já que não tinha o que fazer em casa. Proseou durante duas horas sobre a lida e a dificuldade dela… Quase uma aula de filosofia o homem deu…
Em outro dia, meu caçulinha reclamando pra fazer sua parte em um serviço, começou a chorar. Falei pra ele que se era difícil arrumar a cama, a partir daquele dia eu ia arranjar uma boiada pra ele tocar. Uns quinze minutos depois entram no terreno vários bois (o que é bem comum por aqui). Imediatamente ele fala: Droga! Como é difícil ter mãe médium! Não desmenti nada : mãe precisa ter moral!
Quando comecei na Umbanda e chegava meio “carregada” era só caminhar, até aqui dentro, descalça pela grama. A natureza em si é uma dádiva. Tudo nela é perfeito. Em nós não, mas podemos ser refeitos, reaninhados em seu colo.Não consigo conceber um filho da Umbanda, que não vá conhecer a fonte de energia de seu Orixá pelo menos, e não reconheça Deus em Sua Criação mais primitiva.
À medida que dou pequenos passos no entendimento de minha religião, menos aceito que qualquer religião seja só o religar com Deus. É muito mais. A religião em que você está é como uma “academia mental e espiritual”, se bem utilizada. São os momentos de reflexão dentro do templo que você elegeu que todas as coisas da vida cotidiana passam a ser melhores. Um cooper pra você entrar em forma pra melhor exercer sua profissão, um alongamento para a convivência familiar e entre amigos, um aquecimento para a plena cidadania, que culminarão numa resistência melhor à solidão que as vezes permeia nossas vidas. Pense nisso!
(Por Andrea Destefani — publicado originalmente no site Coisas da Vida — http://coisasdecasados.blogspot.com)
A não ser por um aborto da natureza, tudo indica que Lulla, sempre metido a mais esperto que os outros, pode estar num processo criativo inédito. Esse processo envolveria um novo método de cristianização de sua “candidata” Dilma.
É lógico que todo candidato tem uma chance de ganhar a eleição, por pior ou mais mal preparado que seja. Essa hipótese nunca deve ser descartada. No caso específico de Dilma Duchefe, ela se encaixa no “se colar, colou”. Se ela for eleita, deve raciocinar Lulla, menos pior. Mas… se ela não se eleger — o que é a hipótese mais provável — Lulla e sua gangue farão o possível e o impossível para paralisar um eventual governo Serra (quem se lembra da oposição irresponsável no Congresso ao governo FHC entenderá perfeitamente do que se está falando aqui).
A grande jogada é essa: jogar no fogo uma pessoa que, além de uma ficha corrida lamentável, jamais foi sequer síndica de um prédio de quatro qutiinetes — ou seja, possui zero de experiência administrativa. Se este acinte for bem-sucedido, e Lulla conseguir esfregar nas fuças dos brasileiros que faz o que quer e o que bem entende com essa terra de 84% de indigentes, será mais uma sonora risada plena de escárnio em relação a tudo o que o sistema democrático representa e ofereceu a ele e à sua gangue nestes anos todos.
Se isso não ocorrer, em 2014 Lulla e sua gangue têm uma grande chance de retorno triunfal, nos braços do “povo”, como um “pai da pátria”, tal qual um Joaquim Roriz reincidente, pronto para dar cabo do que pouco que, então, sobrará do fazendão. Ele, particularmente, não se importará com isso. Sua família toda tem passaporte italiano e seu filho é um bem-sucedido (leia-se milionário) empresário, certo?
Esse Vanucchi, coitadinho, não se enxerga. Ele, que é a antítese do terrorista clássico - magrinho, faminto porque mal alimentado, porque sempre à espreita, porque sempre preocupado, porque sempre com um plano B de fuga na cabeça; só isso emagrece, melhor que qualquer regime — não consegue esconder seus paradoxos (o mais explícito, claro, sendo o gordo manequim). Só mesmo no Brasil um terrorista (não existe “ex”: quem foi não deixará jamais de sê-lo) barrigudo!…
O gordinho Vanucchi — exemplo das incongruências da “esquerda” oportunista (e por isso mesmo burra) que se aboletou no poder, espalhando seus medíocres tentáculos pelos cantos mais obscuros da administração (afinal, é muito cumpanhero, por isso é preciso muito cabide) — que, se fosse mulher, certamente seria chamado de Ofélia, mais uma vez abriu a boca para falar besteira.
Desta vez, noticia a Folha de S Paulo de 31 de março (A11), o barrigudinho “Vanucchi afirma que imprensa age como ‘partido de oposição’”. É o clássico exemplo do pilantra que se utilizou de uma situação no passado e agora, quando percebe que nem tudo é cor-de-rosa, se volta contra aqueles que o ajudaram. Quando a esquerda burra, indolente e oportunista precisava de um canal para se contrapor ao governo ditatorial dos militares, a imprensa (como instituição, e seus integrantes, como agentes de descompressão) estava de bom tamanho. Quando essa mesma esquerda burra, indolente e oportunista perdeu oportunidade após oportunidade de construir um Brasil melhor, com base na verificação, constatação e reparação de erros cometidos por outros governos, e a imprensa começou a registrar esse fracasso, aí a imprensa é vista como “partido de oposição”.
Esse discurso obsoleto pode até funcionar/repercutir bem junto a alguns poucos dinossauros, mas certamente não “cola” mais no Brasil do século 21. Ele soa muito mais como papo furado de gordinho acomodado, que não quer largar o osso.
Minha mãe, que tem quase 82 anos, sempre que quer criticar o que ela chama de “o excesso de liberdade de hoje em dia”, reconta uma das histórias do meu avô Alfredo: “A gente morria de medo do papai. Ele sentava à cabeceira da mesa, sério, e era o primeiro a ser servido pela mamãe. Todos tinham de ficar quietos, não dar um pio – só se ele puxasse conversa. Se papai ouvisse um comentário, uma risada que fosse que ele não houvesse autorizado, levantava os olhos do prato e dizia, sem alterar a voz, grave e baixa: ‘vamos calando a boca aí’. E nós simplesmente nos calávamos”.
Para dona Luci, minha amorosa e duríssima mãe, o autoritarismo, a arrogância e o abuso de poder de meu avô não merecem críticas. Ao contrário, são até normais, já que, à época em que ela foi criança, lá nos idos dos anos 1930, pai que era pai ficava no pedestal e jamais era questionado em sua “autoridade”. E criança “bem educada” tinha de ter “respeito” absoluto à mão que, com a mesma naturalidade com que afagava, batia em reprimenda a tudo que contrariasse suas idéias sobre certo e errado.
Esta semana, lembrei direto desta história quando alguém do Blog do Planalto tentou me calar me intimidando, através de mensagens (todas elas eu gravei em imagem) quando ousei publicar, em meu twitter, uma observação sobre as pessoas que enviam questões à seção “O Presidente Responde”. Questionei, com meu direito constitucional de cidadã, a real existência dos nomes que apareciam encabeçando as perguntas, porque estranhei aquela mesmice do texto (muito elaborado) das indagações, sempre tudo pasteurizado, igual.
Ironizei, também usando de meu direito de cidadã e principalmente de jornalista, a Secretaria de Comunicação capitaneada por Franklin Martins, por permitir que fossem publicados na internet nomes de pessoas que, numa simples e eficaz pesquisa no Google, só aparecem na seção do blog e nos veículos de comunicação que, eu soube depois, aceitam publicar a tal seção. Na verdade, dos nomes que pesquisei, apenas um aparece em outro espaço que não o do blog e seus parceiros na mídia: trata-se de Lizandra (ou Lisandra) Solla, que tem perfil não-atualizado no twitter, autora de uma pergunta a Lula sobre a Polícia Federal. A questão que ela apresenta, bem como o estilo com que o faz, antagonizam com aquele que ela exibe em suas tuitadas como, por exemplo, as rogativas feitas a Boninho para integrar o BBB.
A reação do blog presidencial foi bem ao estilo melífluo petista de, primeiro, desqualificar o oponente. Como não me calei, o passo seguinte foi me enviar um arquivo de word sobre a parceria entre o blog e algumas mídias interessadas em publicar a seção e me chamar de mal-informada. Detalhe: tal documento não esclarece nada sobre os “perguntadores” quanto a serem eles devidamente identificados, já que deles são exigidos apenas nome completo, idade, ocupação e cidade de residência. Nada de número de CPF, tampouco de cédula de identidade. Um risco, portanto, para o próprio blog. E para o presidente, de estar sendo vítima de um embuste.
Mas, ao velho estilo soviético, o BP, em vez de esclarecer, e dialogar, aceitando a crítica, se preocupou em fazer com que eu parecesse mentirosa ou leviana. Quando voltei a reagir, apagou o texto em que me “sugeria” que eu fizesse uma acusação formal, coisa de “estado policialesco”,como bem me disse o senador Álvaro Dias ao tomar conhecimento do fato. Como um patriarca de antanho, a pessoa por trás do BP me ameaçou literalmente assim: “olha o bom-senso”. Algo como “se não ficar quietinha, vai ser castigada.” E continuou e continua nesta linha, sem esclarecer sobre o que foi observado a respeito da seção de perguntas e respostas, mas mantendo a pressão. Inclusive a quem se manifesta a meu favor, tentando fazer crer, publicamente, que sou criminosa. Nunca, nem na época da ditadura militar, em que estudei jornalismo e comecei a trabalhar sob o tacão e a censura do governo Médici, vi tamanha demonstração de fria arrogância e exercício do poder acima de qualquer limite.
O Blog do Planalto usa da hostilidade vazia para me levar a desistir de apontar falhas num espaço criado para ser esclarecedor, muito embora seja, do modo como se apresenta, um blog do presidente e não da presidência. Este é um blog que não mostra expediente (qualquer jornal ou revista sabe que isso é o correto), que não abre espaço para comentários (e ainda se justifica) e tem na equipe alguém que usa termos muito jornalísticos e sérios como “marola”. Seria cômico, não fosse trágico o fato de que, com nosso suor e nossos impostos, pagamos o salário de todos que fazem este blog. O mínimo que poderiam fazer é dirimir nossas dúvidas e, sem sarcasmo, pressão, intimidação ou dissimulação, nos tornar, em vez de contendores, seus seguidores por ver neles um real valor.
Em tempo: tenho tudo bem documentado em imagens, e a troca de twitters, bem como minhas dúvidas e até sugestões para uma maior qualidade do blog, foram encaminhadas para alguém que começou sua vida profissional a meu lado, na Rádio Gaúcha, naqueles anos 1970, e que hoje integra a comunicação do governo Lula, na TVBrasil, meu estimado, sério e competente José Roberto Garcez. Que, infelizmente, nada me respondeu.
(Texto publicado no site www.coletiva.net)
Parece não haver dúvidas de que o casal Nardoni matou a pequena Isabela. E, por isso mesmo, o casal aguarda julgamento há dois anos. Os dois são réus primários, não foram presos em flagrante, têm residência fixa e não representariam, de imediato, qualquer tipo de risco às investigações.
Parece não haver dúvidas de que Daniel Dantas cometeu crimes gravíssimos contra o sistema financeiro. Da mesma forma, ele possui residência fixa. E, por isso mesmo, o banqueiro sem-banco está sendo processado por diversos delitos.
Entretanto, a presunção de inocência se aplica aos dois aí de cima. Em outras palavras, o criminoso só vai para a cadeia depois que a sentença transita em julgado, ou seja, quando ela não admite mais qualquer tipo de recurso.
Isto posto, fica a pergunta: por que o casal Nardoni está — sem ser condenado — preso há dois anos? Por que Daniel Dantas, assim que põe seus pés na cadeia, é solto até de madrugada pelo seu fiel escudeiro-plantonista do STF, Gilmar Mendes?
(Texto publicado também, com pequenas alterações, no site Direto da Redação)
Por Claudio Lessa
Na era da tecnologia da informação, pode-se dizer que “a voz do twitter é a voz de Deus”? Na frase anterior, pode-se usar “facebook” ou mesmo “orkut”, ou qualquer outra mídia social em vez de “twitter”? Com a banda cada vez mais larga e o acesso cada vez maior de qualquer um a um computador, essas e outras perguntas começam a fazer sentido.
E se é assim – e se, também, fica cada vez mais clara, mais explícita, a distância que separa o mundo real do mundo político, onde cada cidadão comum não tem voz, enquanto a politicalha faz o que quer – então é verdadeira a análise bem-humorada que emplaca nas mídias sociais a partir das “pesquisas” que mostram uma ascensão mirabolante da maquete de Lulla na corrida ao Planalto, e que diz: “mais uns cinco ou seis crimes eleitorais e Dilma passa Serra nas pesquisas.”
José Serra acaba de assumir, com serenidade, que pretende, sim, disputar a cadeira número 1 do Executivo em outubro. As especulações contrárias eram muitas, e tinham as origens mais diversas. Do lado petralha, com sua candidata-poste em plena campanha ao arrepio da lei eleitoral, os argumentos beiravam o desespero. Sim, os petralhas sabiam (e sabem) que estavam agindo ilegalmente, ainda que com o beneplácito de um judiciário legalmente instituído, mas abaixo da crítica sob quaisquer termos. Dentro desse espírito de insegurança legal e política, tentavam atrair José Serra a qualquer custo para o embate fora de hora, como fator de segurança para dias futuros em que qualquer aperto da “justiça” abrisse a porta para que eles dissessem que estavam fazendo o mesmo que todo mundo estava fazendo, como é bem do feitio político-criminal no fazendão.
Do lado oposicionista em geral, abriu-se a não-questão de uma chapa “puro sangue”, onde o único companheiro de chapa viável em todo o planeta seria o mineiro Aécio Neves. Com Aécio fora da jogada por decisão própria, passou-se a ver e a anunciar a candidatura de Serra como algo fadado ao mais terrível fracasso – um quadro tácita e alegremente encorajado pelos petralhas, enquanto continuavam a ser desafiadas as leis eleitorais com as abundantes coberturas na tevê de “inaugurações” de canteiros de obras, de pontes de safena em doentes do SUS, de batizados de bonecas, de obras do PAC - Programa de Aceleração da Corrupção que jamais foram (ou serão) entregues prontas, e eram fabricadas as pesquisas que registravam a mirabolante ascensão de Dilma Duchefe, enquanto o Pilantra-Mor sempre achava um jeito de anunciá-la como sua candidata ao Planalto.
Todo esse castelo de cartas começa a ruir, e a corrida presidencial deve assumir contornos mais realistas de abril em diante. Para Aécio Neves, sua decisão de concorrer ao Senado não deve produzir o mesmo estrago na candidatura presidencial de José Serra como o que foi causado em 2006 com Alckmin, quando o então governador Aécio (montado num sólido esquema para reeleição estadual) virou as costas para o candidato de seu partido. Agora, Aécio precisa apoiar José Serra até mesmo para salvar a (futura) própria pele, no Senado.
Afinal de contas, ser um senadorzinho júnior de Minas Gerais num governo de minoria e oposição a uma presidente Dilma Duchefe, sem a chance de se tornar presidente da Casa e dourar sua pílula em estilo para uma eventual candidatura vitoriosa ao Palácio do Planalto certamente não deve estar nos planos do atual governador mineiro. Dessa vez, ainda que a hipocrisia mineira continue flamejante e a vontade de trair continue intensa, tudo indica que Aécio Neves terá que controlar as chamas e o ardor para fazer dupla com José Serra – cada um no seu galho. Essa, talvez, seja a maior lição a ser aprendida pelo PSDB desde que se viu na oposição: a necessidade de aprender a trabalhar em equipe – algo que, ao que parece, nunca lhe passou pela cabeça.
O Blog do Lessa, no interesse de um debate democrático sobre os royalties do Pré-Sal — sem choro, ranger de dentes artificiais e ameaças teatrais à la Sergio Cabral –, e portanto aberto a todas as correntes de opinião, abre espaço para o ponto de vista manifesado abaixo por um especialista em Direito Constitucional do Instituto dos Advogados do Brasil. Diz ele:
***
“É inconstitucional a retirada dos royalties do petróleo do Rio de Janeiro, com a cobiça despertada pelo pré-sal, sob o argumento de sua distribuição entre os demais estados, como proposto na “emenda Ibsen”.
O Estado do Rio de Janeiro é o maior produtor de petróleo do País. Contudo, sofre perdas de receita do seu principal imposto (o ICMS), que, nas operações destinadas a outros Estados da Federação, não tem tributação, por força da imunidade do artigo 155, II, § 2º, X, “b” da Constituição Federal.
Esta imunidade tributária, que vale para o petróleo e a energia elétrica, foi patrocinada pelo Estado de São Paulo durante a Constituinte de 1986/1988, uma vez que aquele Estado é o maior consumidor de energia do país
Veja a contradição: o petróleo e a energia elétrica recebidos por São Paulo não pagam ICMS ao Estado produtor, porém a mesma regra não se aplica ao álcool combustível, do qual aquele Estado é um dos maiores produtores.
Como forma de compensar a perda de ICMS, o constituinte instituiu os royalties em favor dos Estados produtores de petróleo e energia elétrica (artigo 20, § 1º, CF), a fim de preservar o equilíbrio federativo (STF, Mandado de Segurança 24.312).
Todavia, com o anúncio do pré-sal, teve início um debate sobre a pretensa necessidade de distribuir os royalties entre todos os Estados da Federação, o que causará grande perda de receita ao Estado do Rio de Janeiro e seus municípios.
O argumento de que as riquezas do petróleo devem ser distribuídas entre todos os brasileiros é falacioso, na medida em que a não-cobrança do ICMS oriundo dos estados produtores já é uma forma de diminuir as desigualdades regionais (STF, Recurso E. 198.088).
Esta é uma das formas pelas quais o Rio de Janeiro colabora com os demais estados, principalmente os das regiões mais pobres, uma vez que, por mais de vinte anos, não tem recebido um centavo sobre o petróleo e derivados que saem de seu território, que concentra mais de 80% da produção nacional.
Além disso, a legislação em vigor já prevê a existência de um Fundo Especial para repartir parcela dos royalties entre todos os Estados e Municípios do Brasil, independente de serem produtores ou não de petróleo (Lei 7.990/89, art. 7º, e Lei 9.478/98, art. 49, II, “e”). Ou seja, os royalties já são ou deveriam ser distribuídos entre todos.
Portanto, a retirada dos royalties do Rio de Janeiro constitui agressão ao princípio federativo, que é “cláusula pétrea” (artigo 60, § 4º, I CF).”
Jorge Rubem Folena de Oliveira é presidente da Comissão Permanente de Direito Constitucional do Instituto dos Advogados do Brasil.
O estado do Rio de Janeiro, sob o comando de Sergio Cabral, o Júnior, vem promovendo uma gritaria sem tamanho por causa do caminhão de dinheiro que o estado pode vir a perder com a mudança nas regras da divisão dos royalties do petróleo.
No país do “é assim mesmo”, onde todos procuram ganhar tudo no grito — vide o comportamento da maquete de Cauby “Chucky” Peixoto, montada por Lulla para sucedê-lo no Planalto — o Júnior saiu gritando, chorando, esbravejando, se esgoelando, ameaçando. Um comportamento calculadamente desequilibrado que, se examinado com calma, revela apenas sua absoluta falta de substância.
O “ouro negro”, ou “mijo do Demônio” (dependendo do ponto de vista de quem fale sobre o petróleo) é constitucionalmente um bem que pertence à União. Quem se dá ao trabalho de consultar o livrinho que Eurico Gaspar “How-Do-You-Do” Dutra guardava no bolso dia e noite, vê que os artigos 20 e 177 (especialmente o 177) tratam do assunto sem rodeios. Já no item I do artigo 177, está escrito: “Constituem monopólio da União: a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos.”
Em outras palavras, ao contrário do slogan idiota, o “petróleo não é meu”; o petróleo pertence à União. Se, por acaso, você que está lendo estas linhas achar petróleo no seu quintal, terá que entregá-lo à União. Você receberá apenas um “cascalho” financeiro pela buraqueira realizada no seu terreno pela Petrobras. O grosso dos recursos financeiros auferidos com a extração do petróleo, no entanto, pertence à União — que dispõe desses recursos como achar melhor.
O parágrafo primeiro do artigo 20 - objeto específico do “jus esperneandi” do governadorzinho Júnior ainda assegura uma “participação no resultado da explocação de petróleo ou gás natural”, além de uma “compensação financeira por essa exploração.” Essa é uma plataforma que Júnior poderia usar educadamente para tentar salvar parte do butim que lhe está sendo (com justiça) subtraído.
Um butim, aliás, que os cariocas e fluminenses não têm visto, a partir de Campos dos Goytacazes, o epicentro da petrograna: num estado eminentemente corrupto de alto a baixo, a favelização é crescente e os serviços de segurança pública, educação e saúde pública são cada vez piores.
A esta altura, só resta perguntar: por acaso esse mesmo governadorzinho abriu o bué quando uma série de deslizamentos de terra em Angra dos Reis matou dezenas de pessoas? Ele por acaso verte lágrimas em cada enterro quando o tráfico de drogas faz o que bem entende nos morros cariocas, torturando e matando indiscriminadamente com suas “balas perdidas”?
A tentativa incessante da petralha, de arrastar o pré-candidato tucano, José Serra, ao ringue da ilegalidade eleitoral (para depois acusar o adversário de estar praticando a mesma imoralidade e se eximir da irresponsabilidade praticada até o momento com a cidadania) acaba, invariavelmente, resvalando na apedêutica do chefe do desgoverno — cada vez mais enlouquecido para emplacar seu poste.
Desta vez, como se não bastassem as comparações infelizes (para dizer o mínimo) dos presos políticos cubanos com os vagabundos e criminosos que pululam nas cadeias paulistas, o “mito” acaba (intencionalmente) de demonstrar que não sabe o significado das palavras mais básicas do idioma, garantindo seu lugar nos anais e nos menstruais da História ao lado dos Odoricos da vida.
Há alguns dias, o governador de SP, José Serra, utilizou uma maquete para demonstrar sua intenção de construir uma ponte no seu estado. O apedeutinha barbudo, que na companhia de sua mala sem alça inaugura obras que não foram feitas, que não foram iniciadas, que não foram finalizadas, ou que simplesmente não são obras (ponto final), — algo que já lhe rendeu o comentário de @tiodino, no twitter, de que ele estaria inaugurando até ponte de safena em doente necessitado em hospital do SUS — aproveitou a deixa para dizer que Serra estaria inaugurando até maquete.
Infelizmente, é essa mistura de cachaça com ignorância, temperada com má-fé, que corrói (por dentro) os pilares democáticos recém-assentados nesse país e gera tanta desesperança no coração dos cidadãos que desejam viver numa terra ordeira, onde compromissos são cumpridos, acordos são respeitados, leis são observadas.
O post abaixo é uma versão preliminar das biografias comparadas entre José Serra(PSDB-SP) e Dilma Rousseff(PT-RS). O texto deve ser espalhado pelos quatro cantos do Brasil. Não há mentira alguma neste levantamento de dados e fatos sobre a vida pública dos dois oponentes. Os Blogs pela Democracia têm o papel de colocar a verdade para o eleitorado médio, aquele que está longe dos blogs políticos. Precisamos, além do nosso trabalho dentro do nosso ambiente, transformar este tipo de post em e-mail, em corrente, em material para orkut, para o twitter, para o facebook, em informação para as redes sociais. Esta é uma tarefa que precisa ser levada a cabo.
Leitor(a), aprimore esta comparação. Crie a sua própria. Levante novos dados. O importante é confrontar os dois candidatos. Quando a campanha começar, boa parte do Brasil já vai estar conhecendo José Serra e Dilma Rousseff. Quanto mais se souber a respeito dos dois, comparativamente, melhor será a capacidade de julgar e escolher o que é melhor para o Brasil.
Portanto… Aí vai, etapa por etapa, a vida dos dois:
José Serra tem 68 anos, é paulista, filho de imigrantes italianos, o pai vendedor de frutas no Mercado Público, foi criado em uma pequena casa quarto e sala, geminada com outras 24, em São Paulo. Dilma Rousseff tem 62 anos, é mineira, filha de um imigrante húngaro, rico empreiteiro e dono de construtora, proprietário de dezenas de imóveis em Belo Horizonte, foi criada em um grande e espaçoso apartamento em Belo Horizonte.
Somente quando chegou ao Científico, a família Serra mudou-se para um apartamento de dois quartos, alugado. Antes disso, moraram em uma pequena casa em rua de chão batido. Imóvel não era problema para a rica família Rousseff, que passava férias no Rio. Um dos espaçosos apartamentos foi cedido para Dilma utilizar, exclusivamente, como esconderijo seguro para os grupos terroristas dos quais participava, de onde saíam para praticar atentados, roubar e seqüestrar.
No início dos anos sessenta, vinculado à política estudantil, Serra foi presidente da União Estadual de Estudantes, de São Paulo, e da União Nacional dos Estudantes, com apoio da Juventude Católica. Democrata, sempre usou o palanque e a tribuna como armas, jamais integrando grupos terroristas e revolucionários manipulados pelo comunismo internacional. Dilma, por sua vez, neste mesmo período, fazia política estudantil nas escolas mais burguesas de Belo Horizonte. Em 1963, ingressou no curso clássico e passou a comandar uma célula política em uma das mais tradicionais escolas da cidade, onde conheceu futuros companheiros de guerrilha, como o atual prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.
Em 1964, exilou-se na Bolívia e, posteriormente, na França, retornando ao Brasil em 1965, na clandestinidade. Ainda neste ano, foi para o Chile, onde ficou durante oito anos. Com a queda de Allende, foi para a Itália e, posteriormente, para os Estados Unidos. Teve uma vida extremamente produtiva no exílio, onde adquiriu sólida formação acadêmica, foi professor e consultor. Em 1964, Dilma começou a conviver com terroristas de esquerda, iniciando a sua carreira como militante na luta armada. Neste período ingressou na POLOP, Política Operária, onde militou até ingressar na universidade.
Em 1967, Serra casou-se com a psicóloga e bailarina Sílvia Mônica Allende, com quem tem dois filhos e dois netos e continua até hoje casado. Dilma também casou-se em 1967, com o terrorista e guerrilheiro Cláudio Galeno de Magalhães Linhares (”Aurelio”, “Lobato”). Quando o primeiro marido a deixou, para ir cumprir missões em outros países, sequestrando um avião no Uruguai, por exemplo, teve um segundo casamento com Carlos Franklin Araújo, com quem teve uma filha. Desde 2000, não está casada.
Serra interrompeu a sua formação acadêmica em função do exílio, que impediu que seguisse a carreira de Engenheiro. No entanto, no Chile, fez um mestrado em Economia e foi professor de matemática na CEPAL. Posteriormente, nos Estados Unidos, fez mais um mestrado e um doutorado na prestigiada Universidade de Cornell.Tem uma das mais sólidas formações na área no Brasil. Dilma ingressou em 1967 na faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Ali participou da criação do sanguinário grupo COLINA, Comando de Libertação Nacional. Posteriormente, participou ativamente da fusão entre a COLINA e a VPR, Vanguarda Popular Revolucionária, quando surgiu a violenta VAR-P, Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, responsável por dezenas de crimes contra civis e militares.
Serra permaneceu 10 anos longe do Brasil. Retornou em 1977, dois anos antes da Lei da Anistia, sendo um dos únicos que voltou sem nenhuma garantia de liberdade e ainda com os direitos políticos cassados. Enquanto isso, Dilma estava na clandestinidade, participando de ações armadas, recebendo treinamento para guerrilha no exterior, ministrado por organizações comunistas internacionais. Aprendeu a usar o fuzil com maestria, especialmente na atividade de montá-lo e desmontá-lo no escuro. Foi presa em 1970, permanecendo nesta condição até 1973.
Em 1978, Serra iniciou a sua carreira política, que este ano completa 32 anos. Neste ano, teve sua candidatura a deputado impugnada, sob a alegação de que ainda estava com os direitos políticos suspensos. Foi admitido como professor de Economia na UNICAMP, onde ficou até 1984. Em 1973, Dilma Rousseff retomou o curso de Economia na UFRGS, no Rio Grande do Sul, onde estava preso seu segundo marido, Carlos Araújo. Ingressou, junto com o marido, no PDT e recebeu um cargo de estagiária na Fundação de Economia e Estatística, em 1977. Em 1978, Dilma Rousseff começou a fazer o mestrado na UNICAMP e, depois, o doutorado. Durante anos, mentiu em seu currículo que tinha concluído os dois cursos quando, na verdade, mal cursou os créditos, que representa quando muito 10% de um título acadêmico strictu sensu.
Em 1983, Serra iniciou, efetivamente, a sua carreira como gestor, assumindo a Secretária de Planejamento do Estado de São Paulo. Em 1985, Dilma assumiu a Secretaria Municipal da Fazenda, em Porto Alegre, no governo do pedetista Alceu Collares, com quem tem uma dívida de gratidão. Hoje Collares é conselheiro de Itaipu.
Em 1986, Serra foi eleito deputado constituinte, com a maior votação do estado de São Paulo. Foi o deputado que aprovou mais emendas no processo da Constituinte: apresentou 208 e aprovou 130, uma delas criando o Fundo de Amparo ao Trabalhador. Liderou toda a reformulação orçamentária e de planejamento do país, no período, que começaram a estruturar as finanças brasileiras, preparando-as para o futuro Plano Real. Dilma saiu da Secretaria da Fazenda de Porto Alegre em 1988, sendo substituída pelo hoje blogueiro Políbio Braga, que afirma: “ela não deixou sequer um relatório, e a secretaria era um caos.”
Serra foi um dos fundadores do PSDB, em 1988. Foi derrotado por Luiza Erundina, do PT, nas eleições para prefeito de São Paulo. Em 1990, foi reeleito deputado federal com a maior votação em São Paulo. Em 1989, Dilma foi nomeada Diretora-Geral da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, na cota do marido no PDT. Alguns meses depois foi demitida, pois não obedecia horários e faltava a todas as reuniões, segundo Valdir Fraga, o presidente da Casa, à época.
Em 1994, Serra foi um dos grandes apoiadores do Plano Real, mesmo com idéias próprias que o indispuseram, por exemplo, com Ciro Gomes. Neste ano, foi eleito senador por São Paulo, com mais de seis milhões de votos. Em seguida, assumiu o Ministério do Planejamento. Em 1995, Dilma voltou para a FEE, mas como funcionária, já que o PDT havia perdido a eleição. Ali editou uma revista de indicadores econômicos, enquanto tentava acertar o seu “doutorado” na UNICAMP.
Em 1998, José Serra assumiu o Ministério da Saúde, criando os genéricos e o Programa de Combate a AIDS. Criou a ANS e ANVISA. Foi considerado, internacionalmente, como uma referência mundial em gestão na área. Em 1998, na cota do PDT, assume a Secretaria de Minas e Energia, no governo petista de Olívio Dutra, eleito governador gaúcho.Vendo que o partido de Brizola estava decadente, ingressou no PT.
Em 2002, Serra candidatou-se à Presidência, sendo derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2002, Dilma foi nomeada ministra das Minas e Energia do governo Lula, puxando o tapete de Luiz Pinguelli Rosa, mestre em engenharia nuclear e doutor em física, que coordenava o grupo de transição.
Em 2004, Serra elegeu-se Prefeito de São Paulo. Em junho de 2005, Dilma assumiu o lugar de José Dirceu, o chefe da sofisticada organização criminosa do mensalão, sendo saudada por ele como “companheira de armas e de lutas”, em memória aos tempos da guerrilha.
Em 2006, Serra elegeu-se Governador de São Paulo, cargo que exerce até os dias de hoje. É o candidato natural da oposição à Presidência da República. De lá para cá, Dilma vem sendo imposta por Lula como a candidata biônica do PT à presidência da república. No dia 20 de fevereiro de 2010, foi ungida, sem nunca ter conquistado um só cargo público pelo voto ou por concurso, a candidata da situação à sucessão de Lula.
O artigo abaixo foi publicado no site Direto da Redação em 28 fev 2010
COMO GANHAR A GUERRA DAS DROGAS
Esta semana, eu quase caio na vala comum da revelação, mais uma vez, de sórdidas teorias da conspiração – no caso, a que coloca Roriz da Bezerra de Ouro como operador de Lulla contra JR Panetone Arruda (este se recusara a apoiar Dilma e estava a caminho de uma vaga de vice na chapa de Serra). Em troca, Lulla – que tem o judiciário (com jota minúsculo) do fazendão no bolso, teria prometido a Roriz limpar sua folha corrida. Mas… ao receber o e-mail do leitor e amigo Sergio C pedindo minha opinião sobre um tema completamente diferente, achei que valeria mais a pena polemizar sobre outro assunto. Vamos lá.
Sergio C pediu minha opinião sobre a posição do ex-presidente FHC a respeito da descriminalização das drogas – todas elas, e não apenas a maconha. Em resumo, segundo FHC (que é a favor da descriminalização mas continua contrário à legalização do uso de drogas), o sistema repressivo atual patrocinado por setores reacionários da ONU não está funcionando e a guerra está sendo perdida; o Secretário Nacional de Segurança Pública reforça a tese de FHC informando que a esmagadora maioria dos encarcerados por causa das drogas é formada por pequenos traficantes – desarmados, sozinhos e réus primários. A descriminalização, segundo FHC, resolveria o problema do encarceramento do chamado “pequeno traficante”, ainda que ele reconheça a necessidade de campanhas contínuas por parte do Ministério da Saúde contra o uso de drogas, da mesma forma que se tem feito contra o vício do cigarro.
Hmmmm… não, senhor ex-presidente. O Brasil – para deixar de ser o fazendão que é – precisa de um choque de ordem para valer. Confesso: não sei como ele se tornaria realidade com o dejeto político-institucional de que dispomos atualmente, mas as campanhas do Ministério da Saúde seriam apenas a cerejinha de um apetitoso sundae composto, entre outras coisas, de um poder judiciário que fosse digno de letras maiúsculas para designá-lo – sem venalidade, plenamente informatizado, com seus processos mais enxutos, onde a pena de morte passe a ser um dispositivo de Estado, deixando de ser privatizada (como é atualmente); de uma força policial altamente capacitada, não apenas academicamente falando, mas bem paga, capaz de reprimir eficazmente o uso de drogas e de ser apoiada na retaguarda por juízes aptos a despachar para a cadeia por toda a vida (ou mesmo para o outro mundo) quem se mete com esse tipo de coisa; de um sistema educacional intensamente comprometido com a formação de crianças e jovens para um futuro decente; finalmente, de um sistema prisional enormemente ampliado, destinado a oferecer uma verdadeira chance de recuperação para quem cair lá dentro (e não um PhD em crime grátis, como atualmente).
Quando se fala numa reforma dessa magnitude, inclui-se (obviamente) leis como a adotada nos EUA e conhecida por “three strikes, you’re out”, numa analogia ao beisebol (aqui, seria algo como “no terceiro cartão amarelo, você está expulso” – no caso, do convívio em sociedade). Na California, quando o terceiro crime é anotado na ficha de alguém, é prisão perpétua, sem discussão. O enxugamento a que me referi acima incluiria medidas como essa, além da redução acentuada do número de recursos e dos prazos concedidos para esses recursos de acordo com a lei de processo penal de hoje em dia, sem falar no fim das facilidades concedidas a advogados que, por sua condição, entram em cadeias sem serem revistados. Medidas como essa podem não impedir alguém de cometer um crime, mas pesam na tomada de decisão. No fazendão, atualmente, não há peso nenhum.
Em resumo, o problema não está em quem está ganhando a guerra das drogas (se é a sociedade ou os traficantes). O problema está em trabalhar com afinco para aparelhar adequadamente a sociedade para enfrentar essa onça, usando os recursos disponíveis (que não são poucos) sem ceder à tentação da corrupção – o que exige uma boa formação moral, advinda de uma boa vida familiar e uma boa escolaridade. Como se vê, uma coisa puxa a outra.
Esta solução exige muito mais mão-de-obra e impõe um nível bem mais elevado de responsabilização (accountability). Mas ela desemboca na garantia de que, se alguém foi parar na cadeia ou foi executado, esse alguém foi levado a essa condição por vontade própria, pois sabia perfeitamente que não devia se meter com o uso, muito menos com o tráfico de drogas. O problema é que, no país do “é assim mesmo”, “trabalhar” é cada vez mais um palavrão.