O anúncio da candidatura do deputado Índio da Costa a vice-presidente na chapa do tucano José Serra deu sinais preliminares de acerto. Os sinais vieram por meio da reação do atual chefe do desgoverno e de sua candidata-poste, que, surpresos, alegaram desconhecer a pessoa que integra a chapa do PSDB.
Se, por um lado, o nome de Índio da Costa já esteve envolvido numa trampolinagem carioca de subtração de dinheiro da merenda escolar — o que, para seu benefício, nunca deixou seqüelas legais, isto é, não resultou em indiciamento ou condenação, apesar das insistentes evidências circunstanciais ligadas ao caso e veiculadas pela imprensa — por outro deixa claro que, se houver algum fundo de verdade nessas alegações, Índio e Lulla atuam em ligas diferentes, bem diferentes.
Geralmente, os grandes ladrões, acostumados a roubar bilhões, a promover grandes farras com dinheiro público, prometer realizações inexeqüíveis e anunciar investimentos na Lua enquanto riem da cara do bobo eleitor, desconhecem os meros batedores de carteira.
Portanto, é uma boa notícia o fato de Lulla desconhecer Índio, por dois bons motivos. Primeiro, porque Índio não faz parte da gangue do atual aparelhador-mor da republiqueta em que vivemos; como se sabe, Lulla só reconhece e socializa com grandes delinqüentes. Só anda de braços dados com gente como Collor, Sarney, Chavez, Ahmadinejad, Kadhafi e outros meliantes, ao mesmo tempo em que delira com as montagens de eixos Brasília-Damasco, ou Brasília-Teerã. Segundo, porque se Índio realmente esteve enrolado antes, tudo indica que ele ainda tem espaço e oportunidade de rever seus erros e de se emendar, criando daqui para a frente uma biografia que possa ser motivo de orgulho não apenas para ele, mas sobretudo para aqueles que o elegerem.