Começando pelo começo: o candidato a vice pela chapa do PSDB, Índio da Costa, botou a boca no trombone e anunciou o que todo mundo que sabe ler e tem acesso a publicações impressas diária e semanalmente já sabia: o PT tem conexões sólidas com as FARC, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - guerrilha mambembe sustentada pelo narcotráfico enraizado naquele país vizinho.
Segundo ato: os petralhas entraram em transe. Horrorizados com essa denúncia (ainda que requentada) em ano eleitoral, quando fazem de tudo para sustentar o projeto de uma pseudo-candidata, os petralhas sacudiram céus e terra e avisaram que pretendem processar meio mundo por causa da revelação deste segredo de polichinelo.
Terceiro ato: José Serra, o candidato tucano que procura o quanto pode manter-se à margem de controvérsias, foi obrigado a entrar no ringue e apoiar as palavras de seu vice. E é aí que mora o perigo: Serra apoiou Índio, mas não integralmente. Disse que há, mesmo, uma ligação entre o PT e as FARC, mas não com o narcotráfico.
A reflexão do Blog do Lessa: as FARC são uma narco-guerrilha; suas atividades subversivas são sustentadas com o dinheiro podre do tráfico de drogas; qualquer um (pessoa física ou jurídica, brasileira, colombiana ou de qualquer outro país) que se disponha a manter relações e construir vínculos com essa organização-escória da humanidade não pode manter relações com um aspecto da organização apenas e desconhecer e/ou desconsiderar o que lhe dá suporte. Até porque, dado o histórico de trampolinagens praticadas à luz do dia (o mensalão é um exemplo) e de crimes não-resolvidos (a morte de Celso Daniel é outro exemplo), é necessário que José Serra demonstre coerência e firmeza, apoiando integralmente a denúncia de seu companheiro de chapa. Essa postura é politicamente interessante? À primeira vista, talvez não. Mas se se pretende limpar o panorama político do fazendão (e a Lei da Ficha Limpa é apenas um tímido primeiro passo), é preciso botar a ferramenta na mesa e os pingos nos “i”s. O eleitor agradece.