Demorou, mas aconteceu. O primeiro debate entre os principais candidatos à Presidência da República apenas ligou os motores da campanha que, espera-se, assuma ares mais decididos a partir de agora. Vamos a um rápido rescaldo dessa primeira experiência em 2010.
Tudo indica que a Band se preocupou mais em firmar-se como a primeirona nos debates do que com a substância. Daí a insistência no tema musical e no estilo “tuitado” de buscar as opiniões dos candidatos. Nesse momento, é preciso levar ainda em consideração outro aspecto muitíssimo importante: as emissoras são concessões públicas, e por isso mesmo deveriam promover, de alguma maneira mais aprofundada, o debate sobre os temas nacionais.
A partir daí, entende-se que o debate (quente, morno ou frio) deveria se estender pelo dobro ou mais do tempo e, dentro dessa perspectiva, vê-se que a formatação deixou a desejar — sob vários aspectos. As perguntas diretas aos candidatos deveriam ter sido restritas a alguns blocos. O início, no entanto, deveria conter um “round-robin” obrigatório (por 2 blocos, digamos) onde uma mesma pergunta deveria ser dirigida a cada um dos candidatos, sem direito a comentário por parte dos outros. Assim, seria evitada a “discriminação” reclamada pelo candidato Plinio de Arruda Sampaio. Outros dois blocos privilegiariam as perguntas diretas e pelo menos mais três se concentrariam em temas da atualidade.
Um bloco discutiria especificamente, por exemplo, Segurança; outro, Educação; outro, Saúde Pública; outro, Economia; outro, Planos de Governo. Nesses blocos específicos haveria perguntas obrigatórias para cada candidato, feitas por jornalistas (não apenas da emissora, mas também convidados de fora) ou mesmo cidadãos comuns e as aleatórias (candidato para candidato, escolhendo livremente a quem faria a pergunta).
As respostas, réplicas e tréplicas deveriam obedecer a um esquema descendente de tempo - 4, 3 e 2 minutos, para que cada candidato pudesse mostrar com um mínimo de detalhamento a sua proposta — ou fragorosamente o contrário.
Novamente, consoante com o fato de que as emissoras são concessões públicas e que esse(s) debate(s) são de interesse público — afinal, estamos discutindo o nosso futuro, como nação — seu início deveria ocorrer por volta das 19h30 e terminar depois da 01h00.
Resumo da ópera: talvez forçada pelas circunstâncias políticas (e vergada pela mediocrização que invadiu o Brasil), a Band foi obrigada a se curvar e promover algo que deixou muito a desejar.