Minha coluna no site Direto da Redação desta semana não foi publicada integralmente. Abaixo, o texto completo:
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A avalanche mediocrizante que tomou conta do Brasil, fazendo-o involuir a ponto de se tornar um mero fazendão, acabou criando condições inéditas e excepcionais para o surgimento de um processo eleitoral sui generis.
De um lado, um grupo de situação age criminosamente à luz do dia, sem se importar com qualquer tipo de repercussão adversa em relação a seus intentos. Como se sabe, essa “imunidade” à lei e à ordem tem sido pacientemente construída por meio da desconstrução do estado democrático de direito, tijolo por tijolo, enquanto o discurso exatamente contrário era trombeteado nos ouvidos dos habitantes do fazendão, dia sim, outro também.
De outro lado, há um grupo de oposição que, curiosamente, não tem discurso oposicionista. Entre outras sandices, o candidato tentou colar sua imagem à do atual desgovernante e chamou o atual ministro da Fazenda de “um homem correto” uma semana antes de explodir o escândalo da violação de sigilo fiscal de sua filha. Como se não bastasse, não explora as incongruências, mentiras, incorreções e desvios de sua adversária-poste.
A verdadeira campanha oposicionista tem sido feita via internet por alguns abnegados que não possuem, necessariamente, vínculo com o PSDB. Apenas estão fartos do status quo e querem ver mudanças. O ponto de interrogação fica exatamente aqui: por que os vídeos mostrados na internet – que realçam os desvios, os desmandos, as mentiras, as falcatruas, a safadeza – não são utilizados no horário eleitoral do candidato de oposição? Afinal de contas, os vídeos não procuram atacar a figura do atual presidente diretamente – e nesse curso de ação os produtores dos vídeos e o candidato concordam. Um bom exemplo de video que possui discurso político de oposição usando elementos estritamente jornalísticos você pode ver clicando neste link.
Abundam, no fazendão, os exemplos de erros e omissões do atual grupelho que aparelhou o governo federal com gente incompetente da pior espécie nos últimos oito anos. As imagens estão aí para quem quiser filmar: estradas destruídas, gente morrendo nas filas dos hospitais públicos, o caos da segurança. Por que não mostrar isso? Por que não botar o dedo na ferida e torcer? Não é o caso de bater de frente com a estratosférica popularidade do atual chefe do desgoverno, mas sim de mostrar, tim-tim por tim-tim, o que existe de errado e o que se pretende fazer para corrigir esses erros (além, é claro, de bater duro na tecla da incompetência enciclopédica da candidata adversária, incapaz de articular duas palavras sozinha, exceto quando equipada com um ponto eletrônico no ouvido).
A opinião pública já está mais do que ciente de que o candidato oposicionista dá de dez a zero na candidata-poste em termos de experiência administrativa, da mesma forma que conhece bem as realizações do candidato oposicionista na área da Saúde. Mas isso é página virada, é apenas um pé de página nesse momento. Há muito o que dizer de crítico e construtivo, e esse muito não está sendo dito.
Em meio a tudo isso, surge o “fenômeno” Tiririca, do qual ninguém – nem situação, nem oposição – se atreve a falar: quem é que financia esse idiota útil? De acordo com a excrescência em vigor conhecida como voto proporcional, quantos malas sem alça ele ajudará a eleger sem que o eleitor se dê conta, ajudando a desmoralizar de vez o Poder Legislativo?
A conclusão, a esta altura, é uma só: dentro desse clima de criminalidade em que está metida a campanha da situação e do clima de pusilanimidade que está metida a campanha oposicionista, é de se intuir com alguma dose de certeza: se os petralhas conseguem violar o sigilo fiscal de qualquer um sem correr qualquer risco de punição, o que não deve estar acontecendo com as pesquisas de intenção de voto, propaladas por toda a parte como sendo retratos definitivos do sentimento do eleitorado? E, nessa esteira, o que dizer das “invioláveis” urnas eletrônicas – o “exemplo brasileiro para o mundo” que o mundo rejeita?
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